Cuiabá, 06/10/2026

Defesa diz que divulgação do caso Isabele seria tortura moderna contra a atiradora

A defesa da adolescente B. de O. C. afirmou que a divulgação do caso em que ela é acusada pela morte da jovem Isabele Guimarães Ramos seria uma espécie de tortura moderna contra a atiradora. Em pedido encaminhado à 2ª Vara da Infância e Juventude, o advogado da família pediu que um dos promotores de Justiça que atuam no caso e a defesa da mãe da vítima não recebam mais informações do processo que tramita sob segredo de Justiça.

Reprodução

Adolescente acusada de atirar em Isabele foi apreendida na noite de ontem pela Justiça

As informações constam em manifestação da defesa da atiradora sobre o pedido de apreensão feito Ministério Público Estadual (MPE). Na terça (15), a juíza Cristiane Padim da Silva determinou a apreensão de B. de O. C., o que foi cumprido ainda na noite de ontem. A adolescente está atualmente Centro de Ressocialização Menina Moça onde aguarda possível transferência para o Complexo do Pomeri. Há um habeas corpus da defesa para revogar a decisão de apreender a garota.

A petição feita pelo advogado Artur Osti critica que apesar de o promotor de Justiça Rogério Bravin ter, em meio ao pedido de apreensão, solicitado "providências de redobrada cautela no intuito de se evitar a divulgação de atos processuais a serem realizados na presente ação", a imprensa noticiou a recusa do pedido de concessão da remissão feito pela defesa antes mesmo de a própria defesa ter acesso à decisão.

“Representam espécie de tortura hodierna especialmente se considerar que a vítima da infeliz prática - seja lá a quem a sua autoria seja atribuída - nada mais é que uma criança de 15 anos de idade”

Artur Osti

"Embora à defesa a representação não tenha sido surpresa, até mesmo porque o promotor de Justiça Marcos Regenold Fernandes, uma semana atrás, já blasfemava o direito à liberdade da defendente em entrevista concedida à Revista Época, surpreendentemente anunciando o pedido de internação provisória que efetivamente veio a ser feito, o fato é que tais vazamentos em nada contribuem com a conveniência da instrução criminal", afirma.

Regenold atua em procedimentos relacionados aos adultos envolvidos no caso, incluindo o pai da garota que foi indiciado no inquérito da Polícia Civil por posse de arma de fogo, homicídio culposo, entregar arma a adolescente e fraude processual. Ainda não há denúncia em relação a ele e os demais adultos. A denúncia foi oferecida pelo promotor Rogério Bravin, que atua na 2ª Vara da Infância e da Juventude.

A defesa de B. de O. C. e do pai dela pede que não seja repassada qualquer informação do processo envolvendo a menor a Regenold. Cita que, a pedido da própria defesa, o membro do MPE é investigado na Corregedoria-Geral do MPE e no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em razão da entrevista à Época. No CNMP o pedido de afastamento de Regenold do caso já foi negado.

Para a defesa, as informações publicadas pela imprensa sobre o caso não ajudam o julgamento: "Muito pelo contrário! Representam espécie de tortura hodierna especialmente se considerar que a vítima da infeliz prática - seja lá a quem a sua autoria seja atribuída - nada mais é que uma criança de 15 anos de idade".

Em seu pedido, Osti também solicita “a imediata inabilitação da família da vítima do polo ativo do presente procedimento”. Cita que a mãe de Isabele, Patrícia Hellen Guimarães Ramos, foi arrolada como testemunha de acusação, "ocasião em que precisará prestar seu testemunho de acordo com a verdade dos fatos e não de acordo com a antecipação de estratégias de defesa que ainda serão arguidas".