Denúncia aponta 4 núcleos em assassinato de Zampieri e oferta de até R$ 750 mil por pacto de silêncio
Documento também destaca valores pagos após a prisão dos executores como forma de tentar evitar uma delação dos mandantes do crime
A denúncia aceita pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que tornou 9 pessoas réus pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023, revelou a atuação de quatro núcleos - mandante, operacional e intermediário, de execução e de colaboradores. O documento também aponta a existência de um suposto "pacto de silêncio" após as prisões de integrantes da organização, com negociações que previam pagamentos de até R$ 750 mil para evitar delações e proteger o apontado mandante do crime.
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Conforme consta na denuncia, assinada pelos promotores Samuel Frungilo, Elide Manzini de Campos, Vinicius Gahyva Martins e Rodrigo Ribeiro Domingues, o núcleo mandante seria composto por Elenice Ballarotti Laurindo e seu marido, Aníbal Manoel Laurindo, que teriam encomendado o assassinato de Zampieri, devido a uma disputa judicial em torno da propriedade da Fazenda Lagoa Azul.
"Zampieri atuava como advogado da parte contrária e havia exposto fraudes documentais da família Laurindo. A atuação do advogado teria coincidido com o início de derrotas processuais da família Laurindo, que perdeu a posse provisória da fazenda", diz trecho do documento.
Já o núcleo operacional e intermediário seria liderado por Etevaldo Luiz Caçadini, conhecido como Coronel Caçadini, descrito na denúncia como mentor intelectual da logística do crime. Segundo os promotores, Caçadini teria recebido os valores do casal Laurindo e arquitetado a execução do advogado.
"Caçadini e o casal Laurindo se encontraram antes do planejamento e da execução da empreitada criminosa, com convergência de locais que circularam em conjunto, além de repasse financeiro escuso, por meio da técnica de smurfing, com uso dissimulado da empresa de segurança privada de Caçadini (Treinamento Empresarial e Segurança Corporativa LTDA) para recebimento dos valores", descreve o documento.
Segundo a denúncia, a empresa citada teria recebido cerca de R$ 172,2 mil em períodos que coincidem com o planejamento e execução do crime. Além de Caçadini, Hedilerson Fialho Martins também faria parte do núcleo, agindo como intermediário entre o coronel e o executor. Hedilerson teria ainda fornecido a arma usada no homicídio.
O núcleo de execução é formado apenas por Antônio Gomes da Silva, que confessou ter assassinado Roberto Zampieri. De acordo com a denúncia, Antônio recebeu uma quantia de R$ 20 mil antes do crime, sendo prometido ainda a ele mais R$ 20 mil posteriormente.
Por último, o núcleo de "colaboradores", composto por Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Junior, Salezia Maria Pereira de Oliveira, companheira de Caçadini, e Mario Jorge Bucater. Os quatro seriam os responsáveis pelo suporte logístico e operacional do grupo.
O documento da denúncia destaca ainda que, após a prisão de Caçadini e Hedilerson, a organização teria empenhado um "pacto de silêncio", com o objetivo de proteger o mandante Aníbal Laurindo.
De acordo com a denúncia, algumas negociações foram intermediadas após a prisão de parte do grupo. Salezia Maria e Mario Jorge teriam visado o pagamento de R$ 500 mil e R$ 750 mil para garantir que não houvesse uma delação do autor intelectual, Aníbal.
Mandado de prisão preventiva de Elenice
A decisão de acatar a denúncia, assinada pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 12ª Vara Criminal da Capital, na última sexta-feira (12), previa ainda a prisão preventiva de Elenice Ballarotti Laurindo.
Para a juíza, há indícios de que Elenice participou da contratação e do pagamento pela execução, além de risco de interferência no andamento do processo.
No entanto, no domingo (14), o desembargador plantonista Gilberto Giraldelli acatou o habeas corpus protocolado pela defesa e suspendeu a prisão da ré.
"Determina-se ao Juízo da 12ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá/MT a tomada de todas as providências necessárias ao impedimento do cumprimento do mandado de prisão em face da paciente até decisão do Colegiado nesta ação de habeas corpus, ou até eventual decisão monocrática do(a) Relator(a) originário(a) do writ em sentido contrário", diz trecho do despacho.
O caso
O advogado Roberto Zampieri foi morto a tiros, no dia 5 de dezembro de 2023, após deixar o escritório em que trabalhava e, no Bosque da Saúde, em Cuiabá. Ao entrar no seu veículo, um Fiat Strada, foi surpreendido pelo assassino. Segundo a Polícia Civil, foram disparados cerca de 10 tiros na direção do jurista.
Nas gravações, obtidas por meio de câmeras de segurança de empreendimentos da localidade, é possível ver que o assassino cometeu o crime com o rosto descoberto, usando uma caixa para abafar o som, e que ele fugiu a pé.