Eleitos do TJMT admitem discutir reforma no Judiciário, mas cobram debate nacional
Helena Maria Bezerra Ramos defende revisão de regras, enquanto Gilberto Giraldelli e José Luiz Lindote destacam necessidade de discussão em âmbito nacional
Os magistrados eleitos para a nova cúpula do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) se manifestaram sobre a reforma do Judiciário defendida por setores da sociedade. A corregedora eleita, desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, afirmou que é favorável à revisão de regras, enquanto o vice-presidente eleito, Gilberto Giraldelli, avaliou que eventuais mudanças devem ser discutidas em nível nacional. Já o presidente eleito, José Luiz Leite Lindote, afirmou que o Judiciário mato-grossense está fazendo seu dever de casa.
O debate sobre a reforma do Judiciário ganhou espaço na campanha eleitoral deste ano em meio à repercussão de revelações sobre relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), familiares e pessoas próximas a eles com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado por suspeitas de irregularidades financeiras.
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Da esquerda para a direta: Helena Maria Bezerra Ramos, José Luiz Lindote e Gilberto Giraldelli
Helena defendeu que o Poder Judiciário acompanhe as transformações sociais e reconheceu que algumas questões precisam ser revistas. A magistrada, no entanto, ponderou que é necessário realizar estudos para identificar quais mudanças seriam necessárias. “A sociedade é dinâmica, a sociedade não é estática, ela muda, as leis mudam, o comportamento muda. Então, por que nós não podemos mudar também? Eu acho que a gente precisa mudar sim, revisar algumas coisas”, afirmou.
A desembargadora ressaltou que não poderia apontar, naquele momento, quais pontos deveriam ser alterados, mas reiterou que não é contrária à reforma. Ela também avaliou que eventuais medidas não a atingiriam pessoalmente, por considerar que sempre cumpriu suas obrigações.
O vice-presidente eleito, Gilberto Giraldelli, por sua vez, destacou que uma reforma do Judiciário precisa ser conduzida nacionalmente, uma vez que as mudanças podem alcançar não apenas o Supremo Tribunal Federal (STF), mas todos os tribunais brasileiros.
“Reforma do Poder Judiciário tem que ser tratada em nível nacional”, pontuou. Para ele, o tema deve ganhar espaço no debate político diante da nova composição do Congresso Nacional e da disputa pela Presidência da República.
Já José Luiz Lindote adotou um posicionamento voltado à atuação do tribunal estadual. O presidente eleito afirmou que o TJMT tem conduzido suas atividades com responsabilidade e que as discussões sobre mudanças no Judiciário nacional devem ser tratadas dentro das respectivas competências.
“O Poder Judiciário de Mato Grosso está fazendo seu dever de casa. Nós estamos tratando aqui as nossas questões com austeridade, com seriedade, com ética, principalmente, e estamos tomando as nossas providências”, concluiu.