Previsão do tempo ??°C Cidade

Judiciário Quinta-feira, 08 de Outubro de 2026, 16:43 - A | A

Quinta-feira, 08 de Outubro de 2026, 16h:43 - A | A

JUDICIÁRIO DE MT

Eleita, nova cúpula do TJMT defende reestruturação, uso de IA e apoio a juízes

Desembargadores José Luiz Lindote, Gilberto Giraldelli e Helena Maria Bezerra Ramos foram aclamados nesta quinta-feira (8) para comandar o TJ no biênio 2027-2028

Cecília Nobre e Gláucio Nogueira

Os desembargadores José Luiz Lindote, Gilberto Giraldelli e Helena Maria Bezerra Ramos, eleitos nesta quinta-feira (8) para comandar o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) no biênio 2027-2028, defenderam mudanças na estrutura do Judiciário, a utilização responsável da inteligência artificial (IA) e medidas de apoio aos magistrados. A nova cúpula foi escolhida por aclamação durante sessão do Pleno da Corte.

Lindote assumirá a presidência do TJMT, sucedendo o desembargador José Zuquim Nogueira. Já Giraldelli ocupará a vice-presidência, enquanto Helena ficará à frente da Corregedoria-Geral da Justiça.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Eleições TJMT, José Luiz Lindote

 O desembargador José Luiz Lindote

Entre as prioridades da futura gestão, Lindote destacou a necessidade de reorganizar a estrutura do Judiciário estadual para atender à demanda processual das diferentes comarcas. Segundo ele, há unidades que recebem milhares de processos mensalmente, enquanto outras registram movimentação significativamente menor.

"Hoje nós temos algumas cidades que recebem distribuição de 10, 20 mil processos por mês e outras que recebem 8 processos por mês. Então, o Judiciário, para atender a sociedade, ele tem que se adequar à realidade existente hoje", afirmou.

O desembargador argumentou que a limitação de recursos impede a abertura contínua de novas comarcas e varas judiciais. Por isso, considera a reestruturação uma das principais medidas a serem adotadas durante sua administração. "(...) Tem que fazer uma readequação sem causar prejuízo aos servidores, sem causar prejuízo aos magistrados, sem causar prejuízo aos jurisdicionados. Mas, de uma forma racional, fazer as mudanças que têm que ser feitas", declarou.

Lindote também defendeu que eventuais alterações sejam discutidas com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e representantes da classe política. Para ele, o Judiciário não pode permanecer inerte diante da desigualdade na distribuição de processos e magistrados.

Além da reorganização administrativa, o futuro presidente pretende manter os investimentos em inovação e tecnologia realizados pela atual gestão. Ele citou o reconhecimento obtido pelo tribunal com o Selo Diamante e afirmou que buscará ampliar a aproximação entre a administração da Corte, os servidores e a população.

"Conhecer a realidade local. E conhecendo a realidade local, você tem condições de encontrar melhores soluções. Então, agora, sob outro foco, como presidente do Tribunal de Justiça, eu pretendo estar perto da sociedade, conversando com os nossos funcionários, vendo suas reais necessidades e procurar atendê-los da melhor forma possível", disse.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Eleições TJMT, Gilberto Giraldelli

O desembargador eleito, Gilberto Giraldelli

Inteligência artificial

Eleito vice-presidente, Gilberto Giraldelli apontou o avanço da inteligência artificial como uma transformação que também alcança o Poder Judiciário. Ele defendeu o incentivo à utilização dessas ferramentas para aprimorar a prestação jurisdicional, mas ressaltou que a tecnologia não deve substituir a atuação dos magistrados.

"A inteligência artificial é uma realidade, mas ela tem que ser trabalhada sempre com o objetivo de aprimoramento e sempre, também, dentro de um contexto que você nunca substitua o julgador. A essência do julgado, da sentença, da decisão, ela tem que ser sempre baseada na decisão pessoal do juiz", afirmou.

Giraldelli observou que a digitalização dos processos já modificou significativamente o funcionamento da Justiça, substituindo os antigos volumes físicos por sistemas eletrônicos.

Para o desembargador, a inteligência artificial representa mais uma etapa dessa transformação, desde que utilizada com responsabilidade e preservada a autonomia de decisão dos juízes.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Eleições TJMT, Helena Maria Bezerra Ramos

 A desembargadora eleita, Helena Maria Bezerra Ramos

Apoio aos magistrados

Já a desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, escolhida para comandar a Corregedoria-Geral da Justiça, afirmou que pretende dar continuidade aos projetos desenvolvidos por Lindote, mas também implementar iniciativas voltadas ao bem-estar dos magistrados.

Segundo Helena, a atuação da Corregedoria não deve se restringir ao acompanhamento de indicadores de produtividade, sendo necessário considerar as condições de trabalho e as dificuldades enfrentadas pelos juízes.

"Eu também tenho novos projetos para que a gente possa ajudar o juiz, porque a gente não é só números, há juízes doentes, há juízes que precisam de ajuda também", declarou.

A magistrada afirmou também que pretende buscar medidas que proporcionem maior tranquilidade aos juízes no desempenho de suas funções.

Questionada sobre as discussões em torno de uma eventual reforma do Poder Judiciário, Helena se mostrou favorável à revisão de determinadas práticas, embora tenha ponderado que mudanças precisam ser precedidas de estudos.

"Eu acho que a gente precisa mudar sim, algumas coisas precisam ser revisadas no Poder Judiciário. Eu não posso dizer para você o que exatamente agora, teria que ter um estudo para ver isso, mas eu não sou contra não", afirmou.

Eleição por aclamação

A escolha da nova administração ocorreu sem votação, após os três desembargadores permanecerem como candidatos únicos aos respectivos cargos.

Lindote foi o único magistrado a registrar candidatura à presidência, assim como Giraldelli à vice-presidência. Na disputa pela Corregedoria-Geral da Justiça, Helena chegou a ter como concorrente o desembargador Rui Ramos Ribeiro, que posteriormente desistiu da candidatura.

Natural de Cáceres, Lindote ingressou na magistratura em 1999 e foi promovido ao cargo de desembargador em 2024. Ao longo da carreira, atuou em comarcas como Rondonópolis, Primavera do Leste, Diamantino e Várzea Grande, além de integrar o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).

Entre na comunidade do Rdnews no WhatsApp e acompanhe as notícias em tempo real; Acesse

Comente esta notícia

O portal e o blog não se responsabilizam pelos comentários aqui postados. Se você se sentir ofendido pelo conteúdo de algum comentário dirigido a sua pessoa, entre em contato conosco pelo e-mail contato@rdnews.com.br