Estado paga R$ 42,9 mi à empresa alvo da Operação Catarata nos últimos 3 meses
O Governo do Estado repassou, entre 2016 e 2018, R$ 42,9 milhões à empresa 20/20 Serviços Médicos, responsável por prestar atendimentos oftalmológicos na Caravana da Transformação. O empreendimento, localizado em Ribeirão Preto, foi um dos alvos da Operação Catarata, deflagrada nesta segunda (3).
A operação, com base em investigações do Ministério Público Estadual (MPE), apura fraudes relacionadas à Caravana. Nesta segunda, agentes do Gaeco cumpriram, em Mato Grosso e em São Paulo, mandados de busca e apreensão relacionados às investigações.
Um dos alvos da operação foi o prédio da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Um mandado de busca e apreensão também foi feito na sede da 20/20 serviços.
Conforme o portal Mira Cidadão, no qual o Governo detalha gastos estaduais, o Estado repassou, nos últimos três anos, quase R$ 43 mil à 20/20, que pertence ao empresário Fábio Vieira da Silva.
O contrato entre a empresa de serviços médicos e o Executivo estadual foi suspenso após determinação da juíza Célia Vidotti, responsável por autorizar os mandados da operação. A magistrada também suspendeu os pagamentos de quaisquer valores para a 20/20.
Segundo o Mira Cidadão, o Estado pagou R$ 5.459.025,03 para a empresa em 2016, quando teve início o contrato. No ano passado, o valor repassado foi correspondente a R$ 22.158.528,53. Neste ano, até maio, o montante que o Governo repassou à 20/20 foi correspondente a R$ 15.118.964,11.
Conforme o MPE, as investigações apontaram a suspeita de que o contrato estabelecido entre o Estado e a empresa cobria mais trabalhos do que aqueles que foram feitos pela empresa.
Em nota, o Governo do Estado informou que está prestando todas as informações necessárias sobre o caso e relatou que irá recorrer da decisão que suspendeu o contrato com a 20/20.
A Justiça também decretou a indisponibilidade de bens do secretário estadual de Saúde, Luiz Soares. Na manhã desta segunda, Soares comentou que encara com estranheza que a operação esteja acontecendo neste período. “Época de eleição acontece todo tipo de denúncia”, afirmou.