Cuiabá, 09/10/2026

Fiquei 20 anos fazendo coisa errada, sustenta Riva ao ratificar confissão

"Eu falo por mim, fiz um exame de autoconsciência. Fiquei 20 anos fazendo coisa errada. Não quero mentir para imputar nada a ninguém". A declaração foi feita pelo ex-deputado estadual José Riva, reinterrogado na tarde desta sexta (24) em processos oriundos da Operação Arca de Noé.

Eduarda Fernandes

Ex-presidente da Assembleia José Riva diz que fez exame de autoconsciência

À juíza da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda, Riva ratificou o depoimento prestado em 30 de novembro de 2016, ocasião em que confessou a participação em esquemas de desvio de dinheiro público da Assembleia, e disse que era ameaçado por João Arcanjo Ribeiro, dono da Confiança Factoring, por conta da dívida que o Legislativo tinha com o ex-bicheiro.

Nesta tarde, o ex-parlamentar respondeu a mais alguns questionamentos do Ministério Público Estadual e dos advogados de defesas dos demais réus nas ações. “Pelo menos que cada um carregue a sua carga, o meu princípio é esse, falar o que eu sei de cada um. Li atentamente ontem e hoje o processo, não vi nada que possa acrescentar, a não ser esse fato já dito. Olhei minuciosamente para não fazer nenhuma injustiça”, disse Riva.

O ex-deputado relembra que quando entrou na Assembleia havia uma dívida de R$ 25 milhões não contabilizados, grande parte com factorings e agiotas. Foi quando o esquema teve início para custear essa dívida e fazer com que o Parlamento voltasse a ter crédito. Ele cita ainda R$ 10 milhões de restos a pagar com fornecedores e aproximadamente quatro folhas de servidores atrasadas.

O ex-parlamentar conta que foi chamado para uma reunião com Humberto Boisapo e Paulo Moura, logo que entrou na Assembleia, para tratar de uma dívida. “É lógico que não era dívida a Assembleia, era porque passava por lá, mas era de um conjunto. Recebi naquele momento como sendo da Assembleia, mas não acredito”, comenta.