Cuiabá, 30/09/2026

Juiz manda soltar líder espiritual suspeito de abusar de 8 mulheres; MP vai recorrer

Mestre Veras, de 64 anos, foi preso em agosto de 2023; ele dizia promover rituais de limpeza de energia

A 2ª Vara Criminal de Lucas de Rio Verde concedeu liberdade provisória para o líder espiritual Edson Raimundo Rosas da Cruz Veras, popularmente conhecido como Mestre Veras, de 64 anos, suspeito de ter estuprado oito mulheres em "rituais de limpeza de energisa" no município. Na tarde desta sexta-feira (26), o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE) informou que recorrerá da decisão, com o pedido de restabelecimento da prisão.

Veras foi preso em agosto de 2023. As investigações apontam que ele agia por meio de manipulação psicológica, sob argumentos de conexão e troca energética, colocando de forma fraudulenta, na mente das vítimas, a necessidade de realização de um ritual espiritual. Acreditando que receberia uma cura espiritual, as vítimas deixavam que o suspeito realizasse toques corporais, que configuraram atos libidinosos, chegando em um dos casos ao ato sexual, após ingestão de um chá.

Reprodução

Interrogado pela Polícia Civil, o líder religioso apresentou suas versões dos fatos e negou as denúncias, afirmando que realizava os atendimentos espirituais nas cidades de Lucas do Rio Verde, Sinop e Alta Floresta.

Relato de uma vítima

Em um dos boletins de ocorrência, uma vítima narra que, após sair do trabalho, no final da tarde (de dia não revelado no BO) por volta das 17h30, seguiu para a chacará onde está localizada o Centro Espirita Mestra Urbe. Detalha que o local estava vazio e que encontrou o mestre logo na entrada.

 Em seguida, conforme relato, Veras teria retirado a "sua genitália para fora e solicitou que ela tocasse a fim de ter uma conexão expiritual". A mulher detalha ainda que era uma pernoite no local. Diz que um dos funcionários chegou, que ela ainda estava na frente do mestre, mas que a testemunha não chegou a ver nada, apenas perguntou se tinha acontecido algo. 

A vítima não especifica no registro quando a situação aconteceu, mas diz que na ocasião ficou sem reação, acabou não falando o que ocorreu e apenas deixou de frequentar o Centro Espírita. Posteriormente, ela foi questionada sobre o motivo de ter parado de ir ao local e salvou a conversa no Instagram.