Juiz mantém prisão de policial civil por morte de PM em conveniência
Magistrado determinou o encaminhamento do investigador para a Cadeia de Chapada dos Guimarães
A Justiça converteu em preventiva a prisão em flagrante do investigador da Polícia Civil, Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, de 39 anos, durante audiência de custódia realizada na tarde desta sexta-feira (28). Mário é suspeito de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz a tiros dentro de uma conveniência no Bairro Quilombo, em Cuiabá, na madrugada dessa quinta-feira (27).
A decisão é assinada pelo juiz Geraldo Fidelis, que determinou o encaminhamento do preso à unidade penitenciária de Chapada dos Guimarães (a 65 km de Cuiabá), a fim de garantir a sua integridade física e psicológica, tendo em vista que se trata de policial civil.
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O investigador foi preso no final da manhã de ontem, após se apresentar espontaneamente na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Capital, e entregou a arma que teria sido usada no crime. Ele foi interrogado e autuado em flagrante por homicídio qualificado.
Ao manter o policial civil preso, Fidelis pontuou que a aplicação de medida cautelar não seria suficiente uma vez que os depoimentos colhidos sobre o fato até o momento demonstram que “providências menos gravosas seriam insuficientes para a manutenção da ordem pública”.
“A ordem pública, que é a paz social, a tranquilidade cuja manutenção é um dos objetivos principais do Estado, será abalada se o autuado permanecer em liberdade, uma vez que a periculosidade concreta demonstrada pelo modus operandi empregado na prática delituosa revela a gravidade dos fatos”, diz trecho da decisão.
“A ordem pública, que é a paz social, a tranquilidade cuja manutenção é um dos objetivos principais do Estado, será abalada se o autuado permanecer em liberdade”
Trecho da decisão do juiz Geraldo FidelisO juiz frisou a quantidade de disparos efetuados contra a vítima dentro da conveniência, apontados em investigação preliminar no local do crime com base nos projéteis, estilhaços de vidro e as perfurações encontradas no corpo do PM morto. “Frisa-se, mais de um disparo em local público!”, destacou Fidelis.
“[Os] fatos indicam pela extrema gravidade da ocorrência e a consequente necessidade de salvaguardar a ordem pública. Mesmo porque, frisa-se, a condição de policial civil, isto é, detentor do direito e dever de guardar pela segurança social, além do fato se se encontrar em local público, não impediram o custodiado de, ao que consta dos autos, agir contra a vida da vítima”, completou.
O magistrado salientou, ainda, que há prova da materialidade e dos indícios suficientes de autoria delitiva, com base nos depoimentos colhidos até o momento e das imagens das câmeras de segurança da conveniência.
“Tais fatos se corroboram, ainda, com o comparecimento espontâneo do custodiado à sede policial, indicando ser ele o autor dos fatos, bem como, da fala do flagranteado na presente audiência; soma-se a isso, as mídias constantes dos autos”, pontuou.
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O crime
A conveniência onde o crime ocorreu está localizada na Avenida Estevão de Mendonça. Populares que estavam no local informaram que o suspeito de ter baleado o outro era um policial e havia deixado o local em um carro Corolla. A vítima chegou a ser encaminhada às pressas para o Hospital Jardim Cuiabá, mas não resistiu.
Imagens das câmeras de segurança da conveniência mostram Mário e Thiago juntos em uma mesa, onde há garrafas de cerveja. Em seguida, o PM levanta a camisa e mostra algo no tórax. O investigador se aproxima e tira a arma de Thiago, que estava em sua cintura. Em seguida, ambos entram em luta corporal. O final das imagens mostram o investigador já mirando contra a vítima, que aparece correndo em direção à porta da conveniência.
O investigador Mário Wilson Vieira se apresentou espontaneamente na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Cuiabá, e entregou a arma que teria sido usada no crime. Após ser interrogado, o policial civil foi autuado em flagrante por homicídio qualificado.
Policial alega legítima defesa
A defesa do policial civil afirmou ao #rdnews, nesta sexta (28), que o investigador desarmou o militar sem saber que ele era policial, porque Thiago estaria “alterado”. Alega, ainda, que Mário Wilson efetuou os disparos por medo de morrer.