Cuiabá, 08/10/2026

Júri de investigador é suspenso após juíza dizer “que se dane a OAB”;veja vídeo

Confusão começou após advogado ficar insatisfeito com atuação de magistrada e dizer que chamaria Comissão de Prerrogativas da OAB

 

Josi Dias/TJMT

O julgamento do investigador da Polícia Civil Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves que acontecia nessa segunda-feira (15) no Fórum da Comarca de Cuiabá, foi suspenso após uma discussão entre a juíza Mônica Cataria Peri Siqueira, titular da 1ª Vara Criminal, e os advogado Claudio Dalledone, que faz a defesa do réu.

O advogado ficou insatisfeito com a atuação da juíza, que segundo ele, não o deixou concluir o raciocínio. Ele disse que havia chamado a Comissão de Defesa das Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Mato Grosso (OAB-MT).

A resposta da magistrada veio na sequência: “Ah, que se dane, uai. Vocês estão aí só levantando OAB, OAB, OAB. Mantenham o respeito”, afirmou. Em seguida a juíza manda retirar os advogados da sala.

Um dos advogados então a provoca dizendo: "Manda prender então excelência! Manda prender os advogados. Eu entrego a minha liberdade à vossa excelência, manda me prender. Eu entrego a minha liberdade pela defesa dos acusados, vossa excelência está passando de todos os limites".

Por fim, Dalledone pediu que a magistrada reconsiderasse a decisão, pois criaria um “tumulto desnecessário” e um “impasse institucional”. A juíza então responde: “Pode chamar o presidente da OAB”.

Após isso, a sessão foi interrompida e deve ter continuidade nesta terça-feira (16). Advogados organizaram uma manifestação nesta manhã na frente do Fórum para defender as prerrogativas da advocacia.

O #rdnews entrou em contato com o Tribunal de Justiça, mas até o momento o órgão não se manifestou. O espaço segue em aberto.

O caso 

 O crime aconteceu na madrugada do dia 27 de abril de 2023, no interior da conveniência de um posto de combustível, em Cuiabá. Imagens das câmeras de segurança do estabelecimento mostram Mario e Thiago de Souza Ruiz sentados na mesma mesa, ingerindo bebida alcoólica.

Em depoimento, uma funcionária da conveniência afirmou que os policiais estariam se desentendendo antes do crime. Em um determinado momento, Thiago levantou a camiseta, momento em que Mario pega a arma de fogo do militar e aponta contra Thiago. Na sequência, os dois iniciam uma luta corporal e o policial civil atira contra Thiago, depois é visto correndo para fora da conveniência.

Mario foi preso em flagrante e, durante audiência de custódia no dia 28 de abril, a Justiça converteu a prisão para preventiva.

​Em setembro do mesmo ano, o desembargador Rui Ramos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), concedeu liberdade a Mario, suspendendo o porte de arma e proibindo que ele se aproximasse das testemunhas do caso.