Justiça autoriza exumação do corpo de avô de menina envenenada pela madrasta
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Polícia investiga se madastra, acusada de matar a enteada envenenada, assassinou, da mesma fora, o avô paterno da menina; motivação seria uma herança
A Justiça determinou a exumação no corpo de Edson Emanoel, avô paterno da Mirella Poliane Chue de Oliveira, morta envenenada em junho do ano passado. A suspeita é que o idoso também tenha sido morto pela madrasta Jaira Gonçalves Arruda, de 42, ré acusada de matar a menina. O processo da qual saiu à decisão corre em segredo.
Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, a data da realização da exumação deve ser acertada entre a Delegacia de Homicídio e Proteção a Pessoa (DHPP) e a Politec. Ainda não há data para a realização da perícia. O Instituto Médico Legal (IML) ainda prepara os trâmites legais.
Os avôs paternos é quem detinham a guarda de Mirella. Em 2017, a esposa de Edson morreu. No ano seguinte, foi à vez dele por problema grave e súbito de saúde. Após a morte do casal, a menina foi ficar com o pai e Jaira. Entre abril e junho de 2019, a madrasta ministrou veneno na comida da menina.
Também em 2019, após 10 anos, Mirella ganhou uma indenização de R$ 800 mil pela morte da mãe, durante o parto.
Durante as investigações da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), investigadores suspeitaram que o avô de Mirella também possa ter sido morto por envenenamento. A exumação do corpo é a medida para investigar a possibilidade. Mas, como já passou muito tempo que ele foi enterrado, não é possível encontrar vestígios do veneno.
Jaira vai ser julgada pelo Tribunal de Júri. Ela responde sozinha pelo crime de homicídio duplamento qualificado (por ter envenando e por motivo fútil). Desde setembro de 2019, ela se encontra presa na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Entenda o crime
De acordo com a Polícia Civil, Mirella foi morta com doses diárias de veneno de venda proibida durante dois meses, período em que ela deu entrada em hospitais diversas vezes. Os delegados informaram que, em todas as vezes em que era internada, a menina se recuperava de três a sete dias. Após melhorar, os médicos liberavam a família para levá-la de volta para casa, onde acabava adoencendo novamente.
Em junho de 2019, a menina deu entrada em um hospital privado já sem vida. Como o hospital não quis declarar a morte, a DHPP foi acionada para liberação do corpo. Indícios de morte violenta levaram a polícia solicitar perícia, mas acabou detectando no sangue da vítima duas substâncias, uma delas um veneno que provoca intoxicação crônica ou aguda e a morte.
O caso foi parar na Deddica e, em setembro, Jaira foi presa pela morte da enteada. O pai da vítima não teve envolvimento direto e teria sido induzido ao erro pela mulher. Investigação da delegacia constatou a existência de um plano criado pela madrasta para ter acesso a uma herança de R$ 800 mil deixada à Mirella após a morte da mãe, por erro médico, durante seu nascimento.
A Justiça autorizou que fosse usada uma pequena parte do dinheiro para despesas da criança, mas a maior quantia ficaria em depósito para uso após a maioridade, aos 24 anos.