Justiça autoriza trazer a MT suposta mandante de execução de advogado
Defesa de Maria Angélica Gontijo alegou que a cliente estaria sofrendo ameaças em MT
A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, atendeu o pedido do Ministério Público (MPE-MT) e determinou que a empresária e farmacêutica Maria Angélica Caixeta Gontijo seja transferida para Cuiabá. Ela está presa em Patos de Minas (MG), suspeita de ser a mandante do assssinato do advogado Roberto Zampieri. Os suspostos executor e o intermediador no crime também estão presos. Suspeita deve ser transferida via aeronave da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Mato Grosso.
Durante audiência de custódia, nesta quinta-feira (21), a Justiça de Minas Gerais tinha decidido que a suspeita continuaria presa no Presídio Feminino de Presidente Olegário/MG, uma vez que caberia ao magistrado que decretou a prisão decidir sobre a transferência, o Juiz do Núcleo de Inquéritos Policiais de Cuiabá.
Montagem/Reprodução
Na tarde desta sexta-feira (22), a magistrada atendeu as alegações da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que ressaltou que a presença da suspeita é fundamental para o andamento das investigações do crime. A defesa, no entanto, solicitou que a mesma continuasse no estado.
"O pedido de permanência da custodiada no Estado de Minas Gerais por ora não merece acolhimento. O crime pelo qual ela está sendo acusada de ser a autora intelectual é gravíssimo e ocorreu nesta cidade e comarca de Cuiabá. Por conseguinte, o inquérito policial e a possível ação penal irão tramitar nesta capital. Logo, a presença da custodiada se faz necessária para a realização dos atos processuais, principalmente para a colheita das provas e êxito das investigações", decidiu a juíza.
Consta no documento que a defesa argumentou que Maria Angélica estaria sofrendo ameaças em Mato Grosso, por isso não deveria estar na Capital. Segundo a magistrada, não foram apresentadas provas sobre tais alegações.
"Neste momento não há nenhuma comprovação de que a custodiada possui vínculos familiares em Minas Gerais e, principalmente, acerca das ameaças que alega estar sofrendo", escreveu ela.
Ainda em seu embasamento, a juíza destacou que caberá ao Sistema Prisional de Mato Grosso garantir a segurança da suspeita, assim como não há informações de que há vagas para ela no presídio mineiro.
"Isto posto, indefiro o pedido da defesa e autorizo o recambiamento de Maria Angélica Caixeta Contijo para esta capital. Comunique-se o Juízo da comarca de Patos de Minas [MG] e o Delegado de Polícia Caio Fernando Alvares de Albuquerque para as providências cabíveis", finalizou a juíza.
O caso
O advogado Roberto Zampieri deixou o escritório de advocacia em que trabalhava e, ao entrar no seu veículo, um Fiat Strada, foi surpreendido pelo assassino, no dia 5 de dezembro. Os agentes policiais informaram que foram disparados cerca de 10 tiros na direção do advogado. Após o homicídio, a Polícia Civil informou que a principal linha de investigação é de que o crime seja a mando de alguém relacionado ao trabalho da vítima, já que Roberto atuava em casos criminais de alto valor.
Nas gravações, obtidas por meio de câmeras de seguranças de empreendimentos da localidade, é possível ver que o assassino cometeu o crime com o rosto descoberto, usando uma caixa para abafar o som, e que ele fugiu a pé.