PM tomou chácara à força meses antes de usá-la como esconderijo de atirador, acusa MPMT
Pegou para praticar ilícitos, declarou o promotor Rodrigo Domingues no julgamento nesta quarta-feira (15); executor morava no local
Investigações revelam que a chácara onde o executor Alex Roberto de Queiroz Silva se escondeu após assassinar o advogado Renato Nery foi invadida e tomada à força pelo policial militar Heron Teixeira Pena Vieira meses antes do homicídio. A informação foi divulgada pelo promotor de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Rodrigo Domingues, que atua na acusação durante o julgamento do réu nesta quarta-feira (15).
Captura/YouTube TJMT
Segundo Domingues, a propriedade, localizada no distrito de Capão Grande, em Várzea Grande, foi tomada em abril de 2024 por Heron e outros policiais militares, que teriam usado de sua autoridade e de armamento para ameaçar e coagir o verdadeiro proprietário.
Ironicamente, à época das investigações do caso Nery, o imóvel estava pintado com as cores da Polícia Militar e exibia uma grande placa com o emblema da corporação. “Ele pegou a propriedade para esconderijo e para praticar ilícitos”, declarou o promotor.
Alex Roberto, que confessou ter matado o advogado a tiros, morava na chácara juntamente com seu filho de 15 anos à época dos fatos. O local havia sido cedido por Heron.
O “caseiro” é o primeiro dos envolvidos no crime a sentar no banco dos réus. Ele é acusado de homicídio qualificado, com aumento de pena pelo fato de o advogado ter mais de 60 anos quando foi morto, fraude processual qualificada, organização criminosa e abuso de autoridade. O resultado do julgamento deve ser anunciado até o fim da noite de hoje.
Alex Roberto de Queiroz Silva, que senta nesta quarta-feira no banco dos réus pelo assassinato do advogado Renato Nery
Relembre o caso
Renato Gomes Nery foi baleado na manhã de 5 de julho de 2024, em frente ao escritório onde trabalhava, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele chegou a ser socorrido e submetido a cirurgia, mas morreu no dia seguinte em um hospital particular.
Ao longo de um ano de investigação, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu que o assassinato foi motivado por uma disputa envolvendo uma propriedade rural. As apurações apontam que o crime foi planejado com cerca de 90 dias de antecedência e executado mediante pagamento.
Conforme a Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público, Alex Roberto foi contratado pelo policial militar Heron Teixeira Pena Vieira para executar o advogado. Posteriormente, as investigações identificaram como intermediários os policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira. Já os empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos foram apontados como mandantes do homicídio. Todos permanecem presos preventivamente e aguardam julgamento.