Réu não acreditou que vítima era PM por ter muitas tatuagens, afirma testemunha
O crime ocorreu em uma conveniência, em abril de 2023; julgamento acontece nesta segunda (15)
Durante o julgamento do policial civil Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves, pelo Tribunal do Júri, nesta segunda-feira (15), acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, uma testemunha afirmou que o investigador não acreditava que a vítima fosse PM devido "à quantidade de tatuagens" que possuía. O crime ocorreu em uma conveniência de posto de combustível próximo a Praça 8 de Abril, em Cuiabá, no ano de 2023. O julgamento, iniciado nesta tarde, chegou a ser adiado por quatro vezes.
A testemunha, identificada como o investigador da Polícia Civil, Walfredo Raimundo, que estava no local do crime, foi questionada pela defesa de Mário sobre o motivo que teria levado o réu a tomar a arma da vítima. Ele disse acreditar que a desconfiança do réu pode ter sido causada pela quantidade de tatuagens de Thiago, “o que teria levado Mário a tomar a arma, pois não estava acreditando na identidade de Thiago Ruiz”.
Josi Dias/TJMT
Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves (de camisa branca)
“Infelizmente, o último suspiro dele foi nos meus braços. Não teve jeito”. Em outro momento, declarou: “Eu fui quem apresentei os dois, mas fatos são fatos. Não vou conseguir mudar o passado”.
Walfredo relatou ainda que a vítima não pretendia consumir bebida alcoólica no dia dos fatos e afirmou que Mário aparentava estar um pouco alterado. Ainda conforme o depoimento, Walfredo disse que tentou intervir para separar a briga, mas viu Mario sacar a arma.
Ainda segundo a testemunha, ela não sacou sua própria arma devido à presença de funcionários e clientes no local. O relato prossegue informando que Thiago saiu correndo, já ferido e com marcas de sangue.
A testemunha disse que tentou controlar a situação e chegou a seguir Mario, advertindo que, caso ele deixasse o local do flagrante, iria acioná-lo posteriormente, por compreender a gravidade dos fatos.
“Ele [Mário] simplesmente descarregou [a arma de fogo] (...) Se não me engano, cerca de 16 tiros”, disse Walfredo descrevendo a arma do crime como uma 9mm de última geração.
O caso
O crime aconteceu na madrugada do dia 27 de abril de 2023, no interior da conveniência de um posto de combustível, em Cuiabá. Imagens das câmeras de segurança do estabelecimento mostram Mario e Thiago sentados na mesma mesa, ingerindo bebida alcoólica.
Em depoimento, uma funcionária da conveniência afirmou que os policiais estariam se desentendendo antes do crime. Em um determinado momento, Thiago levantou a camiseta, momento em que Mario pega a arma de fogo do militar e aponta a própria arma contra Thiago. Na sequência, os dois iniciam uma luta corporal e o policial civil atira contra Thiago, depois é visto correndo para fora da conveniência.
Mario foi preso em flagrante e após passar por audiência de custódia, no dia 28 de abril, a Justiça converteu a prisão para preventiva.
Em setembro do mesmo ano, o desembargador Rui Ramos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), concedeu liberdade a Mario, suspendendo o porte der arma e proibindo que ele se aproximasse das testemunhas do caso.