Réu nega ter emprestado arma para executor de Zampieri e diz que teve a confiança traída
Defesa sustenta ainda que não há extração de conversas entre ele e Antônio que indicassem uma suposta participação no crime
Hedilerson Fialho Martins Barbosa, denunciado como intermediador da execução do advogado Roberto Zampieri, negou que tenha emprestado sua arma, uma pistola 9mm, para Antônio Gomes da Silva, assassino confesso do jurista. A afirmação aconteceu nesta quarta-feira (30) durante seu depoimento no Tribunal do Júri.
Josi Dias/TJMT
Hedilerson Fialho Martins Barbosa, que foi ouvido nesta 4ª no Tribunal do Júri
Durante a oitiva, Hedilerson foi questionado pelos advogados Francisco Arruda e Patrick Igor Lopes Alves sobre sua presença em Cuiabá no dia do crime. Ele conta que chegou na capital mato-grossense por volta das 15h e se encontrou com Antônio, de quem era instrutor de tiro. Hedilerson afirmou que estava em Cuiabá para participar de um torneio de tiro.
O réu também falou não tinha autorização para carregar a arma de um lado para o outro, nem para colocar na cintura, apenas dentro da maleta e poderia transportá-la até o torneio, onde ela seria usada. No dia em que chegou a Cuiabá, afirmou ter deixado a arma dentro da mala, no quarto de hotel que dividia com Antônio, assim como determina a legislação, e saiu para comer.
No depoimento, Hedilerson nega ter emprestado a arma para Antônio. Segundo ele, o atirador ficou no quarto do hotel e teria pegado a arma. “Eu não acreditei que ele tinha usado a minha arma. Ele traiu a minha confiança. Ele se aproveitou de uma certa confiança que eu tinha com ele. Apesar de não sermos amigos íntimos, é normal dividirmos um quarto de hotel quando você trabalha com a pessoa", disse.
“Ele me ofereceu, insistiu para ficarmos no quarto, que não ia ter gasto com hospedagem. Pensei que ele tinha me oferecido de boa-fé. Eu nunca suspeitei que ele ia me trair dessa forma”, completou.
Josi Dias/TJMT
A defesa de Hedilerson também sustentou que não havia extração de conversas entre ele e Antônio que indicassem uma suposta participação no crime, apenas conversas normais entre professor e aluno. “A traição da confiança do próprio professor”, resumiu a defesa.
O réu ainda disse que, no dia após o crime, foi fazer a prova de tiro normalmente e não desconfiou que sua arma teria sido utilizada na execução. “Até então, eu tinha para mim que seria simplesmente uma suspeita. De fato, fiquei abismado depois que eu recebi o laudo da perícia”, afirmou.
Julgamento
O Tribunal do Júri teve início nessa terça-feira (29), com o julgamento de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Eles são os primeiros réus acusados pelo crime a encararem a Justiça.
No primeiro dia de julgamento, foram ouvidos o delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Nilson Farias, o delegado da Polícia Federal, Marco Bontempo, e a testemunha, José Marcos Marini, amigo de Zampieri.
Nesta quarta, já foram ouvidos Antônio Gomes da Silva, que confessou ter matado o advogado e disse que, caso tivesse "recebido a tarefa" de matar o desembargador aposentado Sebastião de Moraes Filho, tabém teria o executado.
Conforme a denúncia do Ministério Público, Etevaldo é apontado como financiador do crime; Hedilerson seria o contratante e dono da arma; e Antônio teria sido o executor do assassinato. A denúncia narra que Etevaldo teria pago R$ 40 mil para Antônio executar o crime. Antônio, por sua vez, teria sido auxiliado por Hedilerson, que teria emprestado sua arma.