Cuiabá, 13/10/2026

Riva e 2 servidores são presos nesta 3ª; MP aponta mensalinho e mimos

Gilberto Leite

Ex-deputado José Riva é preso pela 3ª vez neste ano. Ele se encontra no CCC

O ex-presidente da Assembleia José Riva e os servidores Maria Helena Caramelo e Geraldo Lauro foram presos, no início da noite desta terça (13). A ordem de prisão foi decretada pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá Selma Rosane Arruda, e faz parte da segunda fase da Operação Metástase, denominada "Célula Mãe".

Esta nova fase é resultado de investigações complementares efetivadas acerca dos crimes cometidos no gabinete do ex-deputado, referentes à gestão de recursos públicos denominados verbas de suprimentos.

Segundo o chefe do Gaeco, promotor Marco Aurélio, o dinheiro desviado servia para pagamento de despesas pessoais de Riva, como, por exemplo, combustível da aeronave particular e honorários advocatícios. Além disso, destaca que a verba também servia para "mensalinho" para políticos e lideranças do interior do Estado, bem como distribuição de "mimos", entre eles uísques, pagamentos de festas de formaturas inclusive de faculdades particulares, jantares e serviços de massagistas.

Conforme o MP, as prisões foram decretadas com base na garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal. "Dentre todos os servidores ouvidos, com exceção dos líderes da organização criminosa, afirmaram a existência de um estratagema criminoso, arquitetado pelos líderes visando dificultar a descoberta da verdade, como consequente blindagem do núcleo criminoso", diz trecho da nota emitida pelo promotor.

Esta é a terceira vez que Riva é preso neste ano. O ex-parlamentar teria sido detido, nesta terça, na região Central de Cuiabá. Segundo o Ministério Público, Riva foi direcionado para o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), onde também se encontra o ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

A defesa de Riva afirma que por enquanto ainda não se manifestará sobre o caso, até que tenha conhecimento dos motivos que levaram à nova prisão. Segundo a assessoria do ex-deputado, ele já cumpria medidas restritivas e não oferecia risco algum de fuga ou à sociedade. "Por enquanto não  há o que declarar, uma vez que ainda não tivemos acesso ao processo", explica Rodrigo Mudrovitsch, um dos advogados que patrocinam a defesa de Riva.

Em relação aos dois servidores presos hoje, Maria Helena Ribeiro Ayres Caramelo é servidora de carreira no Parlamento e ex-chefe de Gabinete da Mesa Diretora, na época de Riva. Geraldo e Maria Helena estavam entre os 22 presos na Operação Metástase e que tiveram a prisão temporária prorrogada por mais cinco dias.

Metástase

A Operação Metástase investiga o suposto desvio de aproximadamente R$ 2 milhões por meio da verba de suprimentos na Assembleia, que tinha como finalidade custear compras emergências de produtos como marmitas, cartuchos e materiais gráficos. A Operação foi deflagrada, em 23 de setembro, e resultou no mandado de prisão de 22 pessoas ligadas ao Legislativo.

Conforme informações do Gaeco, as notas fiscais utilizadas para justificar as compras eram falsificadas. Os saques eram de valores pequenos e feitos pelos servidores, que supostamente repassavam o recurso para os líderes do esquema. Segundo o promotor Marco Aurélio, coordenador do Gaeco, os supostos criminosos sacavam o dinheiro para pulverizar na corrupção. A prisão teve objetivo de identificar os líderes e qual o destino dos recursos roubados.

Prisões

Riva foi preso a primeira vez neste ano, em 21 de fevereiro, em decorrência de suposto desvio de R$ 62 milhões da Assembleia, investigado na Operação Imperador. A captura foi feita pelo Gaeco na residência do ex-parlamentar, localizada no bairro Santa Rosa, em Cuiabá. Os três mandados de prisão foram expedidos pela juiza Selma Arruda. Ele ficou quatro meses no Centro de Custódia de Cuiabá.

A segunda prisão ocorreu em 1º de julho, também pelo Gaeco, na deflagração da Operação Ventríloquo. Dessa vez, Riva foi acusado de comandar suposto esquema que teria desviado cerca de R$ 10 milhões do Legislativo, via acordo judicial referente à dívida contraída com o banco HSBC ainda nos anos 90. A prisão foi revogada cerca de 13 horas depois.