Cuiabá, 10/10/2026

TJ forma maioria para anular absolvição de bióloga e levá-la a júri popular

Acidente ocorreu em dezembro de 2018 e dois jovens morreram; motorista havia sido absolvida em 2022

A Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso formou maioria, nesta quarta (03), para anular a absolvição da bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, acusada de atropelar os jovens Ramon Alcides Viveiros, Mylena de Lacerda Inocêncio e Hya Girotto em frente à Boate Valley, na Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá, em dezembro de 2018.

Ramon e Mylena morreram. Já Rafaela foi absolvida por decisão do juiz Wladymir Perri, ex-titular da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, em dezembro de 2022.

O desembargador Pedro Sakamoto seguiu o relator, desembargador Rui Ramos, e formaram maioria na decisão que também determina que a bióloga seja submetida a júri popular. O julgamento, porém, foi suspenso após o desembargador Jorge Luiz Tadeu pedir vistas do processo.

Montagem/Reprodução

O caso

O acidente aconteceu em 23 de dezembro de 2018, quando Myllena Inocêncio, 22 anos, Ramon Alcides, 25 anos, e Hya Girotto, 25 anos, saíam da boate Valley, na Avenida Isaac Póvoas, e foram atropelados por Rafaela, que estava embriagada. Myllena morreu a caminho do hospital, enquanto Ramon faleceu horas após ser internado. Hya foi a única sobrevivente, porém, teve ferimentos graves que a deixaram com sequelas permanentes.

Em dezembro de 2022, o juiz Wladimir Perri absolveu a bióloga, destacando que Myllena, Ramon e Hya assumiram o risco ao usarem a via pública “violando completamente o princípio da confiança que deve ser observado entre os seus usuários”.

Segundo o magistrado, a bióloga errou ao ingerir bebida alcoolica e dirigir, mas não foi o fator "determinante" para o acidente, e sim, a "imprudência" das vítimas por atravessarem fora da faixa e durante tráfego "intenso".  Em abril de 2023, ela recuperou o direito de voltar a dirigir.