Após pedidos de retirada de nomes, Wilson cobra definição de membros
Três parlamentares pediram a retirada de assinaturas do requerimento que criou a CPI. Caso é avaliado pela Mesa Diretora
Assessoria
O deputado estadual Wilson Santos (PSD) usou a tribuna para cobrar a indicação oficial dos cinco membros titulares e dos cinco suplentes que irão compor a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde. O discurso ocorre em meio a um movimento interno que pode enterrar a comissão antes mesmo de ela ser oficialmente instalada — o que está previsto para acontecer após o Carnaval.
“Quero cobrar do presidente Max Russi (PSB), e que fique registrado, a nomeação dos membros titulares e suplentes da CPI da Saúde. Essa cobrança não se trata de decisão pessoal, mas de cumprimento do Regimento Interno. Artigo 373, caput, e seus respectivos parágrafos. Vou cobrar”, disse Wilson da tribuna.
A cobrança ocorre após três deputados terem formalizado, oficialmente, a retirada de seus nomes do requerimento que originou a criação da CPI.
O pedido acontece poucos dias após a formalização da CPI, que só se tornou possível no fim de janeiro deste ano, quando Wilson conseguiu a oitava assinatura necessária para atingir o número mínimo exigido pelo Regimento Interno. O requerimento original havia sido apresentado em 2023, mas não avançou à época por falta de apoio suficiente.
Questionado sobre a polêmica, em entrevista ao #rdnews, Wilson minimiza o imbróglio e afirma que tudo está dentro do que preconiza o Regimento Interno. “O requerimento foi lido em plenário, a Mesa deu como lido, o primeiro-secretário da Casa assinou o recebimento, foi encaminhado à Procuradoria Legislativa, a procuradoria deu parecer favorável, baseado no atendimento das condicionantes impostas pelo Regimento Interno, e foi publicado na última sexta-feira”, frisou.
Caso seja realmente criada, a CPI pretende apurar supostas irregularidades em procedimentos licitatórios na Secretaria de Estado de Saúde (SES), ocorridos entre 2019 e 2023, e que culminaram na deflagração da Operação Espelho pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor). Entre os que deverão ser ouvidos estão o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, e adjuntos.
Nesta quarta-feira, o governador Mauro Mendes classificou como, no mínimo, “estranha” a instalação, em ano eleitoral, da CPI. “Não existe contemporaneidade neste pedido, são fatos que já foram investigados pelo Ministério Público e pela Polícia, que já foram concluídos e os responsáveis já foram denunciados. Não tem nenhum fato novo. Me pareceu muito estranha essa atitude feita nesse momento”, disse Mauro Mendes em entrevista rápida durante o lançamento da obra de construção da Escola Estadual Professora Maria Hermínia Alves, no CPA 4, em Cuiabá.
Sobre as críticas à CPI por ser em ano eleitoral, Wilson rebateu: “O Regimento Interno não proíbe o funcionamento de CPIs em ano eleitoral. Críticas sempre existem. Quem não está sujeito a elas não existe neste planeta. Até Jesus Cristo, quando passou por aqui, em uma rápida passagem, sofreu críticas”.