Com 13 votos, Paccola tem o mandato cassado na Câmara de Cuiabá
Vereador respondeu a processo administrativo após matar agente do sistema socioeducativo na Capital
Após cerca de cinco horas de sessão extraordinária nesta quarta (05), a Câmara de Cuiabá decidiu pela cassação do mandato do vereador tenente-coronel Marcos Paccola (Republicanos) por quebra de decoro parlamentar. Ao todo, foram 13 votos a favor da perda do mandato, 5 votos contrários e três abstenções. Quatro vereadores estavam ausentes.
Rodinei Crescêncio
Paccola respondia a processo disciplinar no Parlamento após matar o agente do sistema socioeducativo Alexandre Miyagawa, o "Japão", no dia 1º de julho deste ano, com três tiros nas costas. O crime ocorreu na frente de uma distribuidora no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá, e Paccola se tornou réu por homicídio qualificado.
Após o resultado, o agora ex-parlamentar não escondeu a insatisfação. Ele pediu para justificar o seu voto contrário e, em tom de tristeza, disse estar decepcionado com o voto de alguns colegas. Em seguida, acusou todos de fazerem parte de uma organização criminosa, inclusive o presidente da Casa, Juca do Guaraná, e afirmou que iria provar sua inocência.
"Meu voto é não, e [queria] dizer que com alguns aqui não me decepcionei, mas com outros... Vereador Lilo, vereador Vidal, vereador Rodrigo de Arruda e Sá. Com outros realmente me decepcionei muito, porque eu não acreditava que os senhores faziam parte da maior organização criminosa que existe em Cuiabá. E eu vou provar [as acusações contra] um por um, inclusive o senhor presidente”, disse.
A votação
Foram 13 votos a favor da cassação de Paccola: Adevair Cabral (PTB), Chico 2000 (PL), Dr Licinio (PSD), Ricardo Saad (PSDB), Edna Sampaio (PT), Juca do Guaraná Filho (MDB), Kássio Coelho (Patriota), Lilo Pinheiro (PDT), Marcus Brito (PV), Mario Nadaf (PV), Rodrigo de Arruda e Sá (Cidadania), Sargento Vidal (MDB) e Wilson Kero Kero (Podemos).
Outros 5 votaram pela permanência do vereador na Câmara: o próprio Paccola, Demilson Nogueira (PP), Sargento Joelson (PSB) e os suplentes Paulo Peixe (Republicanos) e Renato Motta (Podemos).
Preferiram se abster de votar os vereadores Michelly Alencar (União Brasil), Luiz Fernando (Republicanos), Fellipe Corrêa (Cidadania).
Faltaram à sessão os parlamentares Cezinha Nascimento (PL), Marcrean Santos (PP), Paulo Henrique (PV) e Didimo Vovô (PSB).
Sessão tensa
A sessão foi marcada pela presença de grupos contrários e a favor de Paccola. A família de Japão esteve presente e a mãe dele, Élia Miyagawa, chegou a afirmar que esperava que a justiça fosse feita porque o parlamentar destruiu a vida da família dela.
Paccola também se defendeu. Sob vaias e gritos de "assassino", chorou e afirmou que também tem família.