Cuiabá, 07/10/2026

Galli vota favorável à reforma da Previdência; comissão aprova texto

Gilberto Leite/Rdnews

Deputado federal Victório Galli diz que inimigos do povo não são os que votaram a favor da reforma

O deputado federal Victório Galli (PSC), membro da Comissão Especial da Reforma da Previdência PEC 287/16, ajudou a aprovar o texto-base do projeto, que venceu a primeira etapa após obter o apoio de 23 parlamentares. Outros 14 foram contrários.

Eram necessários apenas 19 votos para aprovar a matéria. Agora, a proposta segue ao plenário para votação a partir da próxima semana.

Por se tratar de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), são necessários 308 votos em dois turnos. O clima foi tenso durante toda a apreciação da matéria que ocorreu ontem (3) à noite.

Em parte da sessão, agentes penitenciários invadiram o local da votação, uma vez que a categoria foi retirada das regras de aposentadoria especial dos policiais, que têm 55 anos de idade mínima para aposentadoria. 

Galli, em postagem na sua página do Facebook, afirma ser contra o atual sistema previdenciário defendido pela esquerda brasileira e por todos que votaram contra a reforma. “Então não se enganem. Os inimigos do povo não são os que votaram a favor da reforma. Os valores não podem ser invertidos”, sustenta o parlamentar - veja post aqui.

 Para Galli, a crise no setor só será sanada com medidas firmes com princípios baseados na Escola Austríaca e não em Karl Marx. Sustenta ainda que atual sistema esconde o estrago de um modelo a equivocado. “O vício é querer remendar a casa podre e manter um sistema compulsório e fraudulento. Mas, se eu votasse contra a reforma, a casa podre cairia. Reafirmo que todos os dados oficiais apontam para esse caminho da ruína na Previdência", sustenta

Depois, pondera que não há outra saída.  Nessa linha, ressalta que PT e seus aliados querem o caos no Brasil. "Quero dormir em paz, colocar minha cabeça no travesseiro e descansar com a sensação de dever quase cumprido, de não ter piorado a situação atual da Previdência”, sustenta.

"Se votasse contra a reforma, a casa podre cairia", afirma Galli

O deputado culpa ainda a população por acreditar em chavões ideológicos, de que o governo tem que receber dos devedores para resolver o problema.

Entretanto, segundo o parlamentar, a maioria desses débitos advém das estatais e empresas que têm a participação do Estado. “Uma mudança total no sistema só irá ocorrer após o país sair às ruas para pedir um novo formato que permita o trabalhador ter a liberdade para decidir sobre qual Previdência ele irá investir seu dinheiro (INSS ou Privada) e, isso não irá ocorrer tão cedo”, prevê.

Galli lembra ainda que assinou a CPI da Previdência para aprofundar no tema e dar uma resposta à população. Para ele, não basta condenar a reforma, mas é preciso assumir o problema. “Eu não faço parte de uma casta. Eu sou do povo, faço parte dos que desejam uma solução para o problema. Eu estou na política, não sou político. E, não estou afirmando que a reforma trará mais direitos, muito pelo contrário, ela trará ajustes rígidos, porém é a única forma de garantir que aqueles pagadores da previdência recebam no futuro e garantir que os aposentados atuais continuem recebendo suas aposentadorias”, avalia.

Principais mudanças

A idade mínima para se aposentar é 62 para mulheres e 65 para homens, com mínimo de 25 anos de contribuição. O texto original previa 65 anos para homens e mulheres, com mínimo de 25 anos de contribuição. O sistema atual não prevê idade mínima para aposentar-se, mas com tempo de 15 anos de contribuição.

Conforme o texto-base, só teria benefício integral o trabalhador que contribuir por 40 anos. O valor da aposentadoria corresponderá 70% do valor dos salários do trabalhador, com 1,5% para cada ano que superar 25 anos de contribuição, 2% para quem passar de 30 anos e 2,5% para quem superar 35 anos.

O Governo Temer previa 49 anos de contribuição para atingir 100%, com valor estabelecido por 51% das médias dos salários, mais 1% por ano de contribuição. Atualmente a soma da idade e do tempo de contribuição tem que somar 85 anos para mulheres e 95 anos para homens, respeitando o tempo mínimo de 30 anos para mulheres e 35 para homens. (Com informações G1)