Maluf admite não ter votos suficientes para ser indicado ao TCE e pode recuar
Ângelo Varela
Deputado Guilherme Maluf (PSDB) na tribuna durante sessão plenária; tucano admite possibilidade de recuar, caso não confirme votos suficientes
O deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB) admitiu, no fim da tarde desta terça (19), que não possui, ao menos por enquanto, votos suficientes para ser indicado à vaga de conselheiro do Tribunal de Contas (TCE). Com um discurso pouco entusiasmado, o tucano não garantiu que irá desistir da vaga, porém não descartou tal possibilidade.
Maluf é um dos candidatos inscritos para disputar a indicação da Assembleia ao TCE – ele foi indicado pelo colega Nininho (PSD). Logo que a disputa ao cargo de conselheiro foi autorizada pela Justiça, ele era considerado um dos nomes mais fortes para o cargo. No entanto, perdeu prestígio ao tornar-se réu, na semana passada, por corrupção passiva, organização criminosa e embaraço a investigação no âmbito da Operação Rêmora – que apura fraudes na Secretaria Estadual de Educação.
Atualmente, o nome mais cotado para assumir o cargo no TCE é o do deputado estadual Max Russi (PSB). Na tarde de hoje, uma lista com 13 nomes pró-Max foi apresentada ao presidente da Assembleia Eduardo Botelho (DEM), que logo se reuniu com o deputado tucano. Apesar de preferir que todos os postulantes a indicação sejam analisados pelo Colégio de Líderes, o democrata trabalha pelo consenso - que caminha para o recuo de Maluf
O tucano, porém, ponderou ao comentar sobre a possibilidade de desistir da disputa. “Tudo se resume em voto. Se não tivermos a votação que a gente espera, inviabiliza a candidatura. Então, quem tiver votos, vai ser o candidato da Assembleia”.
“Me tornei réu, mas existe uma série de deputados que são réus também”
Guilherme MalufO parlamentar declarou que somente retirará a candidatura quando tiver a certeza de que não conquistará votos suficientes para ser indicado a corte de contas. “Se tiver os votos, sou candidato. Meu nome está na lista”, limitou-se a comentar.
O parlamentar rechaçou argumentos de que sua candidatura pode prejudicar a imagem da AL, por ter se tornado réu recentemente. “Me tornei réu, mas existe uma série de deputados que são réus também. Tornar-se réu não inviabiliza a candidatura judicialmente. Isso não segura a minha candidatura. O que segura minha candidatura é não ter os votos, não ter a avaliação com mais de 12 deputados. Aí, realmente, inviabiliza candidatura”.
No entanto, o tucano admitiu que sua imagem está desgastada, principalmente após a decisão do Tribunal de Justiça. “Mas essa vaga é da Assembleia. Os 24 deputados passaram por uma eleição. Já tenho quatro mandatos como deputado estadual. Então o desgaste é quase natural”.
O parlamentar também confirmou que, atualmente, não tem votos para se eleger. Apesar disso, afirmou que “o jogo está muito empatado”. Segundo ele, caso Max Russi se inscreva na disputa, deverá ser o indicado pelo Legislativo. “Eu devo ter uns nove voto. Max deve ter uns 13. Pretendo conversar com colegas. Há alguns em dúvida. Quero conversar especialmente com esses que estão em dúvida”, revelou.
Sobre a reunião realizada entre parlamentares, para tentar demovê-lo da idéia de disputar o TCE, ele afirmou que considera a situação como “natural”. “Estamos em uma casa política, então os interesses políticos comuns se aglutinam. Pelo que sei, um grupo de colegas deputados tem interesse comum e querem, naturalmente, ter mais espaço. Acho muito natural isso. Mas se eles conseguirem mais votos que meu grupo, aí eles vão indicar o conselheiro, provavelmente”.
Outros candidatos ao TCE
Além de Maluf, também se inscreveram para a disputa ao TCE Max Russi - protocolado por Janaina e mais 11 assinaturas -, o juiz Eduardo Calmon – indicado por Ulisses Moraes (DC) –, o deputado Sebastião Rezende (PSC) - que por não poder se autoindicar, foi indicado por Max-, o contador Luiz Mário de Barros - indicado por Wilson Santos (PSDB) -, e o líder do governo Dilmar Dal Bosco (DEM) - indicado por Romoaldo Júnior (MDB).