Cuiabá, 17/10/2026

Neri diz estar chateado com Fávaro e garante: Não devo uma vírgula - veja

Neri Geller foi demitido do Ministério da Agricultura após escândalo no leilão de arroz da Conab

O ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Neri Geller (PP), disse estar chateado com o ministro Carlos Fávaro (PSD) pela forma que foi conduzida a sua exoneração do cargo após suspeitas de fraude no leilão de arroz da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Neri Geller, que já foi ministro da Agricultura e deputado federal por Mato Grosso,  afirma que o ideal teria sido um pedido apenas de afastamento do cargo até que tudo fosse esclarecido. No entanto,  diz que havia conversado com Fávaro sobre toda a situação e que não considera  justo ter sido exonerado sem chances de se explicar para a sociedade.

Reprodução de vídeo

“Fiquei chateado, sim, com o ministro pela forma que eu sai do governo. Quero deixar registrado que é legitimo por parte do ministro, é legitimo por parte do governo,  me afastar. Não tem problema nenhum, mas na segunda-feira conversei com o ministro Fávaro.  Falei   assim:  você conhece o Robson, sabe como funcionou a questão da importação [...] eu não sai a pedido. Eu não devo. Poderia ter me afastado tranquilamente para esclarecer item por item, eu acharia justo e falei isso para membros e parlamentares do Partido dos Trabalhadores que não seria justo eu simplesmente sair e isso ficar disse pelo disse. Não seria justo com a sociedade e não seria correto porque no nosso entendimento não houve má fé. Houve um equívoco político na condução do leilão”, declarou Neri Geller, em reunião na Comissão de Agricultura da Câmara Federal, nesta terça-feira (18).

Neri Geller se tornou o centro da polêmica envolvendo o leilão público responsável pela compra de 263 mil toneladas de arroz após o presidente da República Lula (PT) decidir anular porque empresas arrematadoras apresentaram “fragilidades” para realizar a importação do alimento. Entre as “fragilidades” está o fato da empresa ASR Locação de Veículos e Máquinas, responsável por arrematar nove dos 15 lotes de arroz do leilão, ser representada pela Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso e pela corretora Focus, ambas pertencentes a Robson Luiz Almeida de França, ex-assessor do ex-secretário de Neri. Além disso, a empresa já teria tido como sócio Marcelo Piccini Geller, filho do ex-secretário de Política Agrícola do Mapa.

Além disso, Neri Geller  conta que ficou sabendo da polêmica ao ser questionado pela equipe do Programa Globo Rural e que ligou imediatamente para o filho Marcelo.

“Eu recebi uma ligação por parte do Globo Rural me questionando se meu filho teria participado do leilão. Me assustei, fiquei preocupado, liguei para o meu filho e ele disse que abriu a empresa em agosto, antes de eu ser secretário e que ela está inativa do ponto de vista funcional, ela não abriu conta, não fez nenhuma operação. Ele disse: não tenho nada a ver com isso. Agradeci, fiquei tranquilo e liguei para o Robson e ele falou que abriu uma corretora logo que meu filho declinou na sociedade desde o ano passado [...] eu falei para ele [Robson] que ele estava fazendo um estrago na imprensa e ele disse que eu não pago mais o salário dele então porque ele não pode exercer a função?”, explicou.

O escândalo resultou na exoneração de Neri Geller, que teria sido feita por Fávaro a pedido do Lula. O ultimato foi feito em reunião no Palácio do Planalto.

Entenda o caso

O Governo Federal, por meio da Conab, havia adquirido, na semana passada, 263 mil toneladas de arroz importado em um leilão público - o que corresponde a 88% do pedido inicial, que era de 300 mil toneladas. As negociações ocorreram após as enchentes no Rio Grande do Sul, mesmo o Governo tendo anunciado que teria arroz suficiente em estoque, a fim de garantir a regulação do mercado.

O produto foi adquirido por R$ 25, o pacote de 5 kg, e deveria chegar na mesa do consumidor final por R$ 20 (ou seja, R$ 4 por 1 kg).

Acontece que o Governo Federal voltou atrás e anulou o leilão, sob justificativa de que há indícios de incapacidade técnica e financeira de algumas empresas vencedoras. No entanto, o Governo Federal pretende fazer um novo leilão, agora conduzido pela Conab.