População nos viu como mercadoria com prazo vencido, diz Júlio sobre derrota na Baixada
Para Júlio, a responsabilidade pelo desempenho abaixo do esperado é do presidente do partido e da federação no Estado, o ex-governador e senador eleito Mauro Mendes
O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) considera que a população o enxergou como uma “mercadoria com prazo vencido” ao lhe dar apenas 18 mil votos nas eleições. Ele reconhece que sua força política “sumiu” em Cuiabá e Várzea Grande. Além dele, outros quatro deputados com base na Baixada Cuiabana não conseguiram se reeleger: Eduardo Botelho (MDB), Paulo Araújo (Republicanos), Juca do Guaraná (PSDB) e Elizeu Nascimento (Novo).
Só em Cuiabá, o petista Lúdio Cabral somou 43.586 votos, contra 33.774 de Samantha Iris e 17.141 de Faissal Calil, ambos bolsonaristas. Em Várzea Grande, reduto eleitoral de Júlio, a lista é liderada por Fabio Tardin (Podemos), com 15.723 votos, seguido por Lúdio, com 12.148, e Samantha, com 9.986. Diante desse cenário, Júlio criticou a polarização entre esquerda e direita.
Rodinei Crescêncio/Rdnews
“Cuiabá e Várzea Grande viraram terra de ninguém em termos políticos. Todo mundo de fora, que não tem nenhuma ligação política com Cuiabá, que não presta serviço relevante a Cuiabá e Várzea Grande, teve votação estrondosa aqui. O eleitorado nosso, como diz um amigo meu, nós fomos considerados mercadoria com prazo vencido”, disse.
Vale ressaltar que Júlio ficou com a primeira suplência do União Brasil, mesmo com uma chapa considerada fraca, que contava com apenas outros oito integrantes, enquanto outros partidos tinham entre 20 e 25 candidatos. Naquele pleito, o PP ainda estava federado ao União Brasil, mas teve participação tímida, com apenas um nome na disputa.
Para Júlio, a responsabilidade pelo desempenho abaixo do esperado é do presidente do partido e da federação no Estado, o ex-governador e senador eleito Mauro Mendes (União Brasil), que, segundo ele, esvaziou a chapa ao direcionar aliados para siglas próximas.
“Se esses companheiros estivessem no partido, se não houvesse o esvaziamento da chapa por parte do governador Mauro Mendes, que tirou alguns auxiliares para outros partidos, nós teríamos feito três, até possivelmente quatro deputados”, disparou, referindo-se à saída dos ex-secretários Alan Porto e Gilberto Figueiredo, ambos filiados ao Republicanos, além dos deputados Paulo Araújo (Republicanos) e Eduardo Botelho (MDB).