Lula trava agenda com foco na preparação para debate e define estratégias
Campanha busca fôlego a mais para conquistar virada no resultado, com o último embate entre ambos antes da votação de domingo
O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deu uma pausa nos compromissos públicos de campanha para se concentrar na preparação para o debate da TV Globo, previsto para esta sexta-feira (23/10), o último antes do segundo turno.
Lula deve passar esta quinta (22/10) e parte da sexta em discussões com aliados a fim de traçar estratégias para melhorar o desempenho em relação ao primeiro embate com Flávio Bolsonaro (PL).
Kebec Nogueira/Metrópoles
Para o programa comandado pela Globo, aliados defendem mudanças tanto na organização do formato quanto na postura do presidente.
Uma das demandas da campanha à emissora é que seja feita uma checagem em tempo real das declarações dos candidatos durante o debate. O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira — que está de férias do cargo para atuar na campanha —, está tratando do assunto com a emissora.
Campanha acusa Flávio de mentir em debate
Nessa quarta-feira (21/10), o presidente do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, acusou o oponente de “mentir muito” e cobrou que as declarações de ambos os candidatos sejam verificadas.
“O debate não pode ser um instrumento de desinformação. O debate tem que ser um instrumento de formação de opinião do eleitor. Então, o correto é que haja uma checagem de cada resposta dos dois candidatos para saber quem está falando a verdade e quem está mentindo para o eleitor em um momento tão decisivo”, disse ele.
Auxiliares também discutem táticas para evitar que Lula caia em “armadilhas” do adversário, como ocorreu no último domingo (18/10).
O presidente foi aconselhado a se movimentar menos pelo estúdio e usar mais o púlpito para se prevenir da tática adotada por Flávio no debate da TV Band, em que ele constantemente se posicionava atrás do presidente. As regras do debate da Globo preveem a livre movimentação dos candidatos pelo cenário durante as falas.
Com o último confronto entre Lula e Flávio, a campanha do presidente busca um fôlego a mais para uma virada antes da votação no domingo (25/10).
Nova rodada da Quaest divulgada nessa quarta mostra o bolsonarista com 45% das intenções de voto no segundo turno, enquanto o petista tem 44%, configurando empate técnico. Os indecisos pontuam 2%, e os entrevistados que vão votar branco ou nulo são 5%.
Quaest anima campanha
Integrantes da campanha à reeleição do presidente Lula comemoraram o resultado da Quaest dessa quarta-feira.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, aliados e auxiliares de Lula destacaram, em especial, três números.
O primeiro recorte destacado foi a rejeição. A pesquisa apontou que, no intervalo de uma semana, a rejeição a Lula caiu de 53% para 47%. A rejeição a Flávio Bolsonaro também oscilou dois pontos para baixo, atingindo 52%, percentual maior que o de Lula.
Outro resultado ressaltado por membros da campanha do presidente foi o aumento expressivo dos indecisos na pesquisa espontânea. Em uma semana, esse número dobrou de 7% para 14%. “Isso significa que o voto está em disputa”, comentou um auxiliar presidencial.
O terceiro recorte da Quaest ressaltado pela campanha de Lula foi o do percentual de entrevistados que temem a volta da família Bolsonaro ao poder (44%), que ficou maior do que aqueles que temem a reeleição do atual presidente da República (42%).
Lula pede cassação da chapa de Flávio
A campanha do presidente Lula protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na noite dessa quarta-feira, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra Flávio Bolsonaro. A ação pede a cassação da chapa do senador e de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), por suposto favorecimento da Meta.
Como mostrou o Metrópoles, a campanha de Lula aponta abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social. Também pede que a investigação seja conduzida com tutela de urgência.
O documento afirma que a “infraestrutura privada” da big tech usada para a propaganda eleitoral — incluindo sistemas de recomendação, ferramentas de inteligência artificial generativa e mecanismos de revisão de anúncios das plataformas da Meta, como Instagram, Facebook e WhatsApp, e do X — passou a “operar, de modo reiterado e convergente, em benefício da candidatura dos investigados e em franco detrimento da candidatura adversária”.
A ação também solicita que o TSE declare Flávio Bolsonaro, o influenciador Pablo Marçal e o empresário Tallis Gomes inelegíveis por oito anos.
Entre os episódios que, segundo a campanha de Lula, indicam tratamento desigual por parte das ferramentas da Meta estão a geração, por inteligência artificial, de imagens favoráveis a Flávio e o bloqueio do recurso para Lula.
Além disso, a campanha de Lula relatou dificuldades para impulsionar conteúdos pagos nas redes sociais. O caso foi levado à Justiça Eleitoral, sob a acusação de que a Meta estaria interferindo no processo eleitoral.Em resposta, a Meta negou ter interferido no processo eleitoral ou favorecido qualquer candidatura e atribuiu os problemas relatados a falhas técnicas.