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ELEIÇÕES 2026

Flávio tenta reduzir vantagem de Lula no Nordeste na reta final do 2º turno

Mobilização de Nikolas Ferreira tenta ampliar crescimento registrado no primeiro turno, enquanto campanha enfrenta desgaste com Bolsa Família

Kevin Lima
Metrópoles

O senador Flávio Bolsonaro (PL) busca no Nordeste votos de eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno e de moradores insatisfeitos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha quer diminuir a vantagem de Lula na região para ampliar a dianteira nacional na votação de domingo (25/10).

O trabalho foi dividido entre o presidenciável e aliados capazes de reunir público sem a presença dele. Flávio participou de uma agenda em Fortaleza nessa quarta-feira (21/10). O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que passou por Salvador, Teresina e Aracaju, tem caminhada prevista no Recife na quinta (22/10) e outra mobilização na capital cearense na sexta (23/10), com o deputado federal André Fernandes (PL-CE).

Divulgação/Campanha Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro

Os eventos com trios elétricos, chamados de Bloquinho do 22, mantêm os apoiadores nas ruas enquanto o candidato também se prepara para o debate da TV Globo. Na internet, o parlamentar mineiro assumiu uma outra frente de mobilização.

A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nessa quarta, mostra que Lula conserva ampla liderança entre os nordestinos: tem 61% das intenções de voto, contra 31% de Flávio. No país, porém, a diferença é de apenas um ponto, com 45% para o senador e 44% para o presidente, em empate técnico.

No primeiro turno, em 4 de outubro, o petista liderou na região, que concentra 43,5 milhões de eleitores, ou 27,42% do total brasileiro. Lula teve cerca de 21,5 milhões de votos no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro conquistou mais de 10,4 milhões.

O esforço bolsonarista nos estados nordestinos busca prolongar um movimento registrado na primeira etapa da corrida presidencial. Flávio cresceu na região, ao passo que Lula perdeu votos.

Flávio Bolsonaro recebeu 1,6 milhão a mais que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na comparação com a disputa de 2022. O crescimento foi de 18,3%. A participação nos votos válidos passou de 26,97%, com o pai, para 30,85%, com o filho.

Lula venceu nos nove estados, chegando a 63,77% dos votos válidos. O petista, porém, perdeu cerca de 259 mil votos na comparação com o resultado do primeiro turno de 2022.

Contagem regressiva para as urnas

Comícios poderão ocorrer até quinta-feira (22/10).

Propagandas pagas ou impulsionadas na internet também acabarão na quinta.

O horário eleitoral gratuito e os debates no rádio e na TV terminam na sexta (23/10).

Caminhadas, carreatas e distribuição de santinhos serão permitidas até as 22h de sábado (24/10).

O segundo turno será no domingo (25/10), com votação das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. A divulgação dos resultados começa após o fechamento das urnas.

Flávio terminou o primeiro turno com uma vantagem nacional de cerca de 2,2 milhões. Para a campanha, conquistar mais eleitores nordestinos pode melhorar o placar no país mesmo sem ultrapassar Lula nesse território. Aliados do senador também trabalham, em paralelo, para melhorar o desempenho do candidato no Sudeste, que reúne os maiores colégios eleitorais do país.

Bahia e Ceará concentraram quase metade do ganho bolsonarista na comparação com a eleição anterior. O senador acrescentou cerca de 395 mil votos ao resultado do pai entre os baianos e outros 379 mil entre os cearenses.

O vídeo publicado por Nikolas na terça é mais um ponto dessa estratégia. O conteúdo tenta convencer o eleitor nordestino a romper com Lula. A peça, segundo dados do Instagram, alcançou 155 milhões de visualizações até a tarde de quarta.

O parlamentar também tem utilizado um canal no WhatsApp para veicular outros depoimentos e orientar apoiadores a compartilhar o material.

A campanha de Flávio Bolsonaro também tenta conter desgastes com publicações nas redes sociais que atribuem ao senador promessas de cortes em benefícios sociais, em especial o Bolsa Família.

O programa social, que é uma das marcas do governo Lula, beneficia quase 9 milhões de famílias na Região Nordeste, o maior contingente de beneficiários por região no país.

O tema ganhou tração após a coordenadora econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques, defender uma transição de dois anos para beneficiários que conseguissem emprego ou abrissem um negócio.

Apoiadores do PT utilizaram a declaração para associar o candidato à possibilidade de mudanças no programa. Flávio foi às redes afirmar que manterá o programa e que o prazo valeria após a entrada no mercado de trabalho.

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