Cuiabá, 01/11/2026

Governadores do PSDB intervêm pela reeleição de Taques, mas apoiam Leitão

 Os governadores tucanos, liderados pelo de Goiás Marconi Perillo, fizeram um apelo ao presidente nacional do PSDB Geraldo Alckmin, para que priorize o projeto de reeleição do governador Pedro Taques. No entanto, também sinalizaram a possibilidade de avalizar a candidatura do deputado federal Nilson Leitão ao Senado. #rdnews apurou que Alckmin concordou em atuar como bombeiro em Mato Grosso. Os contatos com os correligionários locais devem iniciar nos próximos dias.

A iniciativa de Perillo, que teve o apoio dos governadores Simão Jatene (PA), Reinaldo Azambuja (MS) e Beto Richa (PR), busca apaziguar o PSDB mato-grossense. Alckmin, que é governador de São Paulo, recebeu telefonemas dos correligionários nessa segunda (25).

Divulgação

Governadores  de Goiás e Mato Grosso  Marconi Pirillo e Pedro Taques em inauguração de uma ponte  no Araguaia

O racha no PSDB de Mato Grosso ficou evidente com a nota divulgada pelo diretório estadual, na sexta (22), acusando Taques de mentir ao declarar que o PSDB fez imposição visando garantir mais cargos. O presidente estadual do PSDB Paulo Borges, que comanda a Empresa Mato-Grossense de Tecnologia da Informação (MTI), pediu exoneração do cargo. O pedido agravou a crise na legenda tucana.

Diante dos fatos, Perillo e os outros governadores tucanos solicitaram que Alckmim atue como bombeiro em Mato Grosso. Isso significa tentar convencer as lideranças que a prioridade para a reeleição de Taques não inviabiliza o projeto de Leitão ao Senado.

Como argumento para convencer Alckmin a intervir, alegaram que a aprovação de Taques cresceu 10% nas pesquisas para consumo interno realizadas em dezembro e que as políticas de austeridade financeria como PEC do Teto dos Gastos Públicos e renegociação das dívidas surtirão efeitos positivos em 2018. Ao mesmo tempo, consideraram que Leitão pode ser um candidato viável ao Senado pela liderança que construi junto ao agronegócio e outros segmentos econômicos.

As divergências políticas no PSDB iniciaram após Leitão expor a intenção de lançar sua candidatura ao Senado em 2018. Taques, por sua vez, entende que é inviável a sigla ocupar duas das quatro vagas na majoritária (governador, vice e dois senadores) porque limitaria espaços para os aliados, enfraquecendo o palanque.

Na eleição do novo diretório do PSDB estadual, Leitão conseguiu emplacar 19 dos 21 membros, incluindo Paulo Borges como presidente. Taques garantiu apenas a adjunta de Relação Políticas da Casa Civil Paola Reis e o vereador por Cuiabá Renivaldo Nascimento na composição.

O atrito fez com que o governado ficasse isolado dentro da sigla e até cogitasse uma possível mudança de partido. Ocorre que a idéia perdeu força justamente pela ação de Perillo e dos dirigentes nacionais do PSDB. Taques tem reiterado que não comenta sobre eleições antes da Semana Santa, adiando o debate para março. Leitão também evita falar sobre o assunto publicamente. 

Nos bastidores, Taques tem se mostrado inclinado a aceitar a candidatura de Leitão ao Senado. Com isso, pretende se fortalecer no PSDB e reconquistar o apoio maciço dos correligionários. Como argumento, Taques tem citado o exemplo das eleições de 1998. Naquele ano, Dante de Oliveira (já falecido) disputou a reeleição ao Governo do Estado com Antero Paes de Barros ao Senado. Os dois tucanos acabaram eleitos.