Advogada diz que teve carro alvejado por tiros e acusa truculência de PMs
Tairone denunciou três policiais de Aripuanã por suposto abuso de autoridade; OAB acompanha o caso
Montagem/Reprodução
A advogada Tairone Magalhães da Silva denunciou três policiais militares de Aripuanã (a 1.002 km de Cuiabá) por abuso de autoridade durante ocorrência envolvendo um cliente dela. Segundo a advogada, o marido dela foi preso injustamente e os PMs ainda teriam atirado contra o carro do casal.
A advogada registrou um boletim de ocorrência no domingo (19) e fez um vídeo denunciando os policiais.
“Já adianto: os senhores não representam a Polícia Militar do Estado de Mato Grosso. Os senhores não fazem jus a tua honrosa função. Não fazem jus à farda que usam”, disse no vídeo, indignada.
Consta do boletim de ocorrência que, na sexta-feira (17), por volta de 8h30, Tairone foi tomar café da manhã na casa de sua mãe, junto com o marido e a filha de 6 anos.
Durante o trajeto, um cliente da advogada teria entrado em contato e relatado que precisava de ajuda, pois três policiais teriam entrado de forma ilegal em sua casa e apreendido a moto de uma colega dele.
A advogada disse que respondeu ao cliente que iria tomar café com a mãe e que depois iria buscar alguns pertences pessoais em sua casa, antes de ir até lá. Segundo Tairone, quando chegou na casa do cliente, os policiais teriam retornado "cantando pneu" com a viatura.
“Eles chegaram muito rápido, dois já adentrando a residência do cliente, quando eu fui muito educadamente, me apresentei como advogada e perguntei se eles tinham alguma ordem judicial, porque aparentemente não tinha acontecido nenhum crime, e eu tinha acabado de chegar”, contou.
“Eles falaram que a OAB digital para eles e nada era a mesma coisa”
Tairone MagalhãesNesse momento, os militares teriam dito que foram até o local pois ouviram disparos de arma de fogo. Em seguida, eles teriam cobrado a apresentação da carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Tairone.
Ela respondeu que não estava com a carteira física, mas mostrou a carteira digital em seu celular. Os policiais, então, teriam passado a debochar da advogada, dizendo que a carteira digital “não valia nada”.
“Momento em que se recusaram a aceitar porque eles falaram que a OAB digital para eles e nada era a mesma coisa, e que eu fosse na minha casa buscar minha OAB física, somente com intuito de me tirar do local da ocorrência, onde mantive resistência e disse que não iria sair dali em momento algum. Era um direito meu”, alegou.
Tairone relatou que então pediu para que a irmã chamasse o marido na casa de sua mãe, para que ele a auxiliasse. O marido dela, ao chegar no local e ver a situação, teria saído rapidamente para buscar a sua carteira de registro profissional.
Contudo, os policiais teriam perseguido e algemado o homem. Ela disse que correu com a irmã e viu que os militares efetuaram diversos disparos em seu carro.
“Chegaram na rotatória já atirando contra o carro. Eu mais do que depressa fui lá com minha irmã. Chegando lá, encontrei meu carro atingido de bala. Os policiais atingiram meu carro de bala, atentando contra a vida do meu esposo”, citou.
Ao ver o marido assustado, Tairone teria solicitado para acompanhá-lo na delegacia, o que também teria sido negado. Segundo ela, as chaves da sua casa estavam dentro do carro, que estava com vidros e pneu furado por conta dos tiros, mas os PMs não teriam permitido a ela para que as pegasse. Conforme Tairone, eles disseram a ela para "se virar".
“Ele falou que eu não tinha direito a nada, e que ele era o Estado em ação”
Tairone Magalhães“Ele falou que eu não tinha direito a nada, e que ele era o Estado em ação. Foi então que pedi ajuda no grupo da OAB de Aripuanã, onde vieram vários colegas nos auxiliar”, disse no boletim de ocorrência.
Tairone acusou excesso e abuso de autoridade por parte dos PMs. “Houve excesso, não tem nada que justifica, não tem uma legítima defesa, não tem um estrito cumprimento do dever legal. Vocês simplesmente abusaram de uma autoridade que nem sei se vocês tinham”, criticou.
Outro lado
A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar, que afirmou que vai apurar o caso. Já a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB-MT) se manifestou por meio de nota:
"Em relação ao caso, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) informa que, até o momento, não foi formalizada qualquer reclamação ou denúncia junto à Ordem. Assim que a denúncia for formalizada, a OAB-MT irá apurar o caso e tomar as medidas cabíveis, visando a garantia do respeito às prerrogativas da advocacia".