Cuiabá, 23/09/2026

Angeliquinha comandava o CV e ordenava 80% dos homicídios para a facção em Alta Floresta e região

Segundo delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da GCCO, Angélica Saraiva de Sá é a mandante de cerca de 80% dos homicídios praticados por facção criminosa em Alta Floresta

Mesmo presa na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, e depois de fugir para a Bolívia, Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”, de 34 anos, continuava comandando o crime na região de Alta Floresta (a 789 km de Cuiabá), para o Comando Vermelho. Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Angeliquinha é a mandante de cerca de 80% dos homicídios praticados por facção criminosa na região.

Conforme já publicado pelo #rdnews, Angeliquinha foi presa na noite dessa terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ela estava foragida desde o dia 17 agosto do ano passado, quando fugiu da Penitenciária Feminina, em Cuiabá. 

“Desde que ela começa a se destacar nas atividades criminosas, ela passa a ser a líder da organização criminosa ali naquela região. Então, a partir disso, ela não sai mais da liderança, mesmo quando é presa e mesmo agora que estava na Bolívia. Ela continuava em contato direto com as pessoas, hierarquicamente, inferiores a ela. Ela tinha uma hierarquia de superioridade com as outras detentas do presídio”, destaca.

A liderança, segundo o delegado, era em todos os pontos da facção criminosa. Desde tráfico de drogas, até lavagem de dinheiro e homicídios. “Ela é a mandante de, vamos colocar, 80% dos homicídios praticados por facção criminosa na cidade de Alta Floresta e circunvizinhas. É uma criminosa de altíssima perigosidade e de atuação muito forte na liderança da facção”.

A Polícia Civil acredita que ela fugiu para a Bolívia para ter uma posição estratégica no tráfico internacional de drogas. “Uma outra coisa que a gente tem convicção é que ela tinha uma atuação importante para ter ficado lá em Santa Cruz de la Sierra. Em todas as cidades fronteiriças, há uma guerra entre as facções criminosas brasileiras, justamente pelo domínio do tráfico de drogas”, explica.

O delegado acrescentou que a investigação irá apurar se Angélica atuava na articulação de entradas, saídas e negociações em Santa Cruz de la Sierra. Segundo ele, dados telemáticos e outros elementos investigativos serão analisados para identificar qual era, de fato, a função desempenhada por ela na cidade e por que permaneceu no local.

Reprodução

 O delegado Victor Hugo Caetano de Freitas e Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”

Cirurgias e procedimentos estéticos

Conforme publicado, em Santa Cruz de La Sierra, Angeliquinha estaria realizando procedimentos estéticos com o objetivo de mudar suas características faciais para tentar enganar a polícia. Segundo Victor Hugo ela teria realizado mais de cinco procedimentos no rosto e apresentou uma documentação falsa quando foi presa. No entanto, a identificação visual dela já havia sido feita.

O delegado destaca ainda que a prática das cirurgias para mudança das características físicas vem se tornando cada vez mais recorrente entre os membros de organizações criminosas, especialmente os que têm mandados de prisão em aberto.

Prisão e transferência para o Brasil

Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, apontada pela Polícia Civil como uma das lideranças do Comando Vermelho no norte de Mato Grosso, foi presa nessa terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. A ação envolveu equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Polinter, com apoio das forças de segurança bolivianas.

Tida como uma das chefes do CV em Alta Floresta e Nova Bandeirantes, Angeliquinha estava foragida desde agosto do ano passado, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Considerada de alta periculosidade pela polícia, ela deixou a unidade prisional na madrugada de 17 de agosto de 2025, acompanhada de Jessica Leal da Silva, de 36 anos, conhecida como Arlequina, e desapareceu.

Em entrevista, o delegado Victor Hugo ressaltou que Angeliquinha ainda não foi deportada ou expulsa da Bolívia. No entanto, já estão sendo realizados os procedimentos cabíveis com as autoridades bolivianas para a eventual volta da criminosa para o sistema penitenciário brasileiro.