Cuiabá, 04/10/2026

Caso Isabele: defesa afirma que laudos não desmentem versão de tiro acidental

rodinei crescencio

O advogado Ulisses Rabaneda, que faz a defesa da família Cestari, no caso da morte da garota Isabele Guimarães Ramos, morta em 12 de julho

O advogado Ulisses Rabaneda, que representa a defesa do empresário Marcelo Cestari e da filha, acusada de matar Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, com um disparo acidental, ressaltou, após divulgação dos laudos periciais do local do crime e de balística, que os documentos estão em análise e "imprecisões" podem ser antecipadas. 

Em nota à imprensa, Rabaneda menciona que, após análise dos aparelhos celulares, o laudo constatou que a filha do empresário e Isabele tinham "boa relação", além de não ter atestado "dados referentes a qualquer intriga ou desavença". 

Rabanena ainda afirmou que o documento não aponta "conduta intencional" da menor. "O conceito de 'disparo acidental' é aquele que decorre da deflagração de projétil sem acionamento do gatilho. No caso, concluiu o laudo que o gatilho foi acionado, fato admitido por B. de O. C. em seu depoimento ainda no liminar das investigações", diz trecho da nota.  

Sobre o laudo ter apontado que o disparo aconteceu em linha reta e a 30 cm do rosto da vítima, o advogado também explicou que a informação não diverge do depoimento da adolescente acusada de cometer o crime. Rabanena ressaltou que, "nunca foi cogitado na investigação que o disparo tenha ocorrido no momento da queda do case". 

Conforme a defesa, a menor afirmou em depoimento que quando o disparo aconteceu ela já estava completamente em pé. Rabanenada criticou a repercusão do caso na mídia. De acordo com ele, os "vazamentos seletivos de informações sigilosas não se prestam a contribuir na elucidação dos fatos, servindo apenas para direcionar a opinião pública a cogitar uma versão distorcida dos fatos em apuração". 

Resultado da perícia 

De acordo com laudo pericial do local do crime e de balística, o tiro que matou Isabele em 12 de julho, na casa da família Cestari, foi disparo a curta distância, entra 20 cm a 30 cm da vítima. A filha do empresário, estaria de frente para a amiga, sustentando a arma a uma altura 1,44 metro do piso "com alinhamento horizontal". 

As constatações encontram-se em laudos periciais entregues na hoje (11) pela Politec ao delegado Wagner Bassi, titular da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA).

O documento aponta ainda que o disparo feito pela amiga foi realizado com "acionamento regular do gatilho, com o atirador (menor) na porção esquerda do banheiro”. Uma das questões que constam no laudo é referente a possibilidade de produção de "tiro acidental" pela arma que matou Isabele, no entanto, a resposta da perícia foi negativa. 

Versão da adolescente 

Na versão da filha do empresário, ela ressalta que não estava brincando com a arma e que foi atrás da amiga após se oferecer para guardar as armas, que foram deixadas na casa pelo namorado de 17 anos, que temia ser parado em uma blitz. 

Ela afirmou que subiu às escadas para saber onde Isabele estava indo. A adolescente alegou que, ao chegar no closet chamou pela amiga que não respondeu, ao bater na porta do banheiro, acabou de desequilibrando e efetuando o disparo acidentalmente.