Consultor do TCE recebeu R$ 32 milhões e é flagrado com dinheiro em mochila
Grhegory Maia é apontado como maior destinatário individual de pagamentos investigados pela PF
O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, recebeu R$ 32,3 milhões em menos de dez meses por meio de pagamentos que não passaram pela folha oficial do órgão, segundo investigação da Polícia Federal (PF). Apontado como o maior destinatário individual dos recursos sob suspeita, ele teve a prisão preventiva decretada nesta quinta-feira (29), no âmbito da Operação Tomada de Contas, pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A decisão aponta que, do montante, R$ 31,64 milhões foram creditados por meio de 179 ordens bancárias avulsas. Os recursos foram distribuídos por 12 contas mantidas em nove instituições financeiras, várias delas ativas simultaneamente. Para o ministro, a movimentação coloca Grhegory no centro do fluxo financeiro investigado, e não apenas na condição de beneficiário dos pagamentos.
Karen Malagoli/ALMT
Grhegory Maia (foto) recebeu R$ 32,3 milhões fora da folha oficial do TCE-MT, segundo a PF, e teve prisão preventiva decretada pelo STJ
Um dos elementos destacados na decisão são imagens de câmeras de segurança de uma agência do Sicoob instalada nas dependências relacionadas ao Tribunal de Contas. Em um dos episódios descritos, Grhegory aparece colocando blocos de dinheiro em uma mochila depois que uma funcionária da agência prepara o numerário.
O ministro considerou que os registros, associados ao volume de recursos e à multiplicidade de contas bancárias, indicam risco de continuidade da lavagem de dinheiro e de ocultação do patrimônio. Também avaliou que medidas cautelares alternativas à prisão não seriam suficientes para impedir eventual interferência na produção de provas.
Patrimônio
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a evolução patrimonial do consultor jurídico. Conforme a decisão, o patrimônio identificado passou de R$ 1,84 milhão, em janeiro de 2025, para R$ 7,61 milhões, em outubro do mesmo ano.
A investigação também identificou duas empresas ligadas a Grhegory que, segundo a hipótese policial, podem ter sido utilizadas para ocultar recursos.
Uma delas é a holding familiar G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda., que teria recebido aportes provenientes dos valores investigados. A empresa era administrada pela sogra do consultor e, anteriormente, pela esposa de Gustavo Fernandes da Silva, outro investigado no caso.
A segunda é a Maia Reining Horses Ltda., constituída em 22 de julho de 2025 para atuar na criação de cavalos e no comércio de embriões e sêmen. Para a investigação, a atividade merece atenção porque não possui preços de referência públicos que permitam uma comparação direta dos valores negociados, circunstância que poderia dificultar o rastreamento dos recursos.
Verbas
A atuação profissional de Grhegory também foi mencionada pelo ministro. Na condição de consultor jurídico-geral do TCE-MT, ele participou de processos no Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiam verbas indenizatórias destinadas aos integrantes da Corte de Contas.
A decisão aponta uma contradição entre essa atuação jurídica e o fato de ele figurar como principal destinatário individual dos pagamentos sob investigação. Os valores teriam sido repassados por mecanismos distintos da folha regular, inclusive por canais destinados a pagamentos de fornecedores.
A operação
A PF identificou movimentações consideradas suspeitas que somaram R$ 75,85 milhões no período de análise bancária de 1º de janeiro a 22 de outubro de 2025.
Além de Grhegory, o STJ decretou a prisão preventiva de outras cinco pessoas, entre elas o presidente do Tribunal, Sérgio Ricardo. O ministro fundamentou as prisões na necessidade de garantir a ordem pública, preservar a instrução criminal e assegurar a aplicação da lei penal.
Annie Souza/Rdnews
Outro lado
O advogado Fernando Márcio Vareiro, que integra a defesa de Sérgio Ricardo, informou ao #rdnews que os advogados ainda buscam acesso ao conteúdo completo da investigação da Operação Tomada de Contas e, por isso, não têm posicionamento oficial sobre o caso. Segundo ele, o advogado Saulo Gahyva ficará à frente da defesa do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
Responsável pela defesa de Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, o advogado Vinicius Segatto também afirmou que precisa conhecer o teor da investigação antes de se manifestar.
As defesas dos demais alvos também foram procuradas, mas não responderam até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
Em nota, o TCE afirmou que vai adotar as providências necessárias ao cumprimento das determinações do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
"A instituição assegura aos servidores, aos órgãos públicos jurisdicionados e à sociedade mato-grossense o compromisso com a normalidade administrativa, a continuidade dos trabalhos e a regularidade das atividades institucionais", escreveu a instituição.