A Operação Tomada de Contas, deflagrada nesta quinta-feira (29) pela Polícia Federal, não é a primeira que mirou conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). Nove anos atrás, em 2017, outra operação, a Malebolge, culminou no afastamento de cinco conselheiros da corte. Nesta quinta, Sérgio Ricardo, presidente da corte, foi preso preventivamente.
TCE
Deflagrada nesta quinta-feira (29), a operação da PF investiga supostas irregularidades na gestão de contratos administrativos e na realização de pagamentos a servidores da corte
Sérgio Ricardo, inclusive, também tinha sido alvo da ação de 2017. Além dele, na época também foram afastados os conselheiros, Antonio Joaquim, Waldir Teis, Valter Albano José Carlos Novelli e Valter Albano. Esses dois últimos também foram alvos da ação de hoje. Não há qualquer investigação na ação de hoje contra Antônio Joaquim e Teis.
Na época, eles foram citados pelo ex-governador Silval Barbosa em sua delação premiada. Os conselheiros foram apontados por supostamente serem beneficiados por um esquema de corrupção. Conforme Silval, os conselheiros exigiram propina para não prejudicarem o andamento das obras da Copa do Mundo. Todos eles sempre negaram qualquer irregularidade e, após algum tempo, foram reintegrados.
Valter Albano - conselheiro apontado e também investigado nessa nova fase - foi o primeiro a retornar, em agosto de 2020, por decisão do Supremo Tribunal Federal. José Carlos Novelli e Antonio Joaquim foram reintegrados aos cargos em fevereiro de 2021. Já Waldir Teis e Sérgio Ricardo conseguiram retornar em setembro e outubro, daquele mesmo ano.
Operação Tomada de Contas
Deflagrada nesta quinta, a operação investiga supostas irregularidades na gestão de contratos administrativos e na realização de pagamentos a servidores da corte. O TCE ainda não se posicionou sobre a operação, mas isso deve ocorrer nas próximas horas.
Conforme a PF, a investigação apura indícios de utilização da suspensão de contratos administrativos como mecanismo de pressão sobre fornecedores e de tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos.
Também são investigadas divergências nos pagamentos a empresas, movimentações financeiras atípicas envolvendo servidores públicos e saques recorrentes em espécie, com possíveis relações entre créditos bancários e retiradas realizadas nas dependências da instituição.
Os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Nesta quinta, 180 policiais federais foram às ruas para cumprir os mandados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Outro lado
O advogado Fernando Márcio Vareiro, que integra a defesa de Sérgio Ricardo, informou ao
que os advogados ainda buscam acesso ao conteúdo completo da investigação da Operação Tomada de Contas e, por isso, não têm posicionamento oficial sobre o caso. Segundo ele, o advogado Saulo Gahyva ficará à frente da defesa do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
Responsável pela defesa de Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, o advogado Vinicius Segatto também afirmou que precisa conhecer o teor da investigação antes de se manifestar.
As defesas dos demais alvos também foram procuradas, mas não responderam até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
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