Cuiabá, 15/10/2026

Corregedoria apura conduta de delegado que invadiu casa no Florais e fez ameaças

PJC investiga se houve abuso de autoridade; se culpa for comprovada, cargo de Bruno França fica sob risco

MidiaNews

O corregedor-geral da Polícia Civil, Marcelo Felisbino, durante entrevista coletiva

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil apura a conduta do delegado Bruno França Ferreira, que arrombou a porta de uma casa no Condomínio Florais, em Cuiabá, na segunda-feira (28) e fez ameaças à proprietária, F.C.G.N.. A ação policial, conduzida de forma agressiva, seria em resposta a supostas agressões e perseguições sofridas pelo seu enteado, de 13 anos.

Segundo o corregedor-geral Marcelo Felisbino, serão apuradas as circunstâncias do ato e se houve abuso de autoridade. A Polícia ainda vai decidir se irá instaurar sindicância contra Bruno, que pode resultar até mesmo em demissão, principalmente porque encontra-se em estágio probatório.

Imagens de uma câmera de segurança da casa que viralizaram nas redes sociais mostram o momento em que Bruno, acompanhado de outros três policiais, arromba a porta e manda todos deitarem no chão. Ele grita e xinga o casal, que está na residência. Em determinado momento, Bruno diz para a mulher que vai "explodir a cabeça dela", caso se aproximasse do adolescente novamente e cita que o enteado tem uma medida protetiva contra ela, que teria sido violada. A mulher fala que não sabe da existência da ordem judicial. Uma criança chega a gritar e pedir para que parassem com a abordagem.

Segundo Marcelo Felisbino, um procedimento inicial de investigação foi aberto e informações serão colhidas. Na tarde desta quarta-feira (30), os policiais envolvidos serão ouvidos na delegacia.

Também foram solicitadas informações à Delegacia Regional de Sinop, responsável pela lotação de Sorriso, onde Bruno França exerce o cargo atualmente. De acordo com a Corregedoria, Bruno França é delegado há menos de um ano e está em estágio probatório, o que pode influenciar na penalização.

“Ele não é um servidor estável e é preciso se atentar a esse fato. Ele precisa passar no estágio probatório. Por isso, temos que tomar cuidado para não colocar uma culpa antes da hora. Ainda estamos em fase ainda de apurações e é muito cedo para fazer qualquer juízo”, afirma Felisbino.

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O delegado Bruno França, que tem conduta investigada preliminarmente pela Polícia Civil

Ainda de acordo com Marcelo, a dona da casa que foi alvo da ação policial foi encaminhada à delegacia na mesma noite do fato. Bruno França alega que deu voz de prisão em flagrante à mulher, mas a ordem não foi ratificada. Ela foi ouvida e liberada. De acordo com a Corregedoria, caso o abuso de autoridade seja comprovado, há uma série de sanções que podem ser impostas.

“Se houver elementos para abrir uma sindicância e essa sindicância concluir que ele tem culpa, a penalização vai de acordo com o tipo de conduta, se é de primeiro, segundo, terceiro grau. Pode ser uma advertência até uma suspensão", afirmou.

Bruno agiu depois das 21h, horário em que não é permitido por lei uma ação policial sem um mandado judicial. Sobre isso, o delegado da Corregedoria afirma que as circunstâncias ainda serão investigadas para apurar se havia justificativas para a ação nesse horário.

Também será apurado se Bruno tinha permissão e justificativa para atuar em Cuiabá, visto que é lotado em Sorriso. “Existe a possibilidade de ele estar trabalhando de forma legal, se estiver cumprindo uma precatória, por exemplo. Mas ainda será apurado. Não temos essas respostas”, diz Marcelo.

Os três policiais que acompanhavam a ação também poderão ser responsabilizados. A polícia ainda irá apurar a participação e responsabilidade de cada um na ação.

A previsão é de que a Polícia Civil já tenha a conclusão dessa apuração no fim desta semana, quando será decidido se uma sindicância será aberta ou não. Se a sindicância for aberta, a Corregedoria informou que tem 30 dias para concluir e apresentar uma resposta.

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Outro lado 

De acordo com a defesa de Bruno França, "a situação decorreu de descumprimento de medida protetiva expedida pela juíza Gleide Bispo Santos contra F.C.G.N., que o vem perseguindo persistentemente com agressões verbais e ameaças físicas em locais públicos, como quadras de esportes, na presença de inúmeras testemunhas".

Segundo Bruno, após se inteirar de novas agressões verbais e ameaças físicas contra o enteado dele, na condição de autoridade policial, pediu apoio de outros agentes de segurança e, tendo conhecimento da medida protetiva expedida pela Justiça, foi até à casa efetuar a prisão em flagrante da mulher.