DHPP identificou suspeito de matar professor em 3 dias, mas lei eleitoral atrasou prisão
Segundo delegado, restrições do Código Eleitoral impediram o cumprimento do mandado de prisão durante sete dias; suspeito foi preso 12 dias após o desaparecimento da vítima
Apontado como suspeito no assassinato do professor Breno Antonio Humberto de Moraes, de 25 anos, o serralheiro Elias Samuel Delgado da Silva, de 26, foi identificado pela polícia em 29 de setembro - cerca de três dias após o desaparecimento da vítima -, mas ele só foi preso 12 dias depois devido às restrições do Código Eleitoral. O corpo do professor foi encontrado na quinta-feira (8), em Várzea Grande.
Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (9), o delegado Bruno Abreu Magalhães, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), explicou que a legislação proíbe o cumprimento de mandados de prisão nos cinco dias que antecedem e até 48 horas após a votação - que aconteceu no domingo (4).
João Aguiar/Rdnews/Reprodução
“Não é tão simples recuperar, analisar imagens e ouvir testemunhas. Por volta do dia 29, nós já tínhamos ele identificado. Só que, por causa do período eleitoral, ficamos sete dias sem poder cumprir o mandado de prisão. Então, às 17h do dia 6 de outubro, expirou o prazo”, explicou o delegado.
Elias foi capturado nessa quinta-feira, dois dias após o término do prazo. Bruno Abreu afirmou que a equipe aguardou o momento mais oportuno para efetuar a prisão. “Ele estava indo em direção ao Manso. Nós o abordamos no horário do almoço, em um momento tranquilo e sem riscos colaterais. Foi uma ação totalmente planejada pela DHPP”, declarou.
O delegado também rebateu as cobranças por uma resposta imediata e destacou que a polícia precisa respeitar o devido processo legal para não comprometer a investigação.
“As pessoas questionam: ‘Se passaram 12 dias. Como sabem quem é o autor e não prenderam logo?’ Não é bem assim. Nós temos que ouvir testemunhas e provar ao Judiciário e ao Ministério Público que aquela pessoa sob investigação é, de fato, a autora do crime. Para sustentar isso formalmente, é preciso ter provas”, enfatizou.
Bruno Abreu complementou que, se não fosse o impedimento legal, a Polícia Civil teria solucionado o caso em tempo recorde de três dias. “Por conta desse problema eleitoral, ficamos de mãos atadas”, frisou.
Conforme já publicado pelo #rdnews, Elias foi preso temporariamente na região do Lago do Manso. Em um primeiro momento, ele ficou relutante para confessar o elo no crime, mas, após os agentes da DHPP apresentarem algumas provas, ele indicou o local onde o corpo da vítima estava: um brejo, no bairro 13 de Setembro, em Várzea Grande.
Reprodução
Elias Samuel Delgado da Silva e professor Breno Antônio Humberto de Moraes
Relembre o caso
Breno estava desaparecido desde a noite de 26 de setembro, quando foi visto pela última vez no bairro Capela do Piçarrão, em Várzea Grande.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o professor embarcou na garupa de uma motocicleta conduzida por um homem que, até então, não havia sido identificado publicamente.
Nas gravações, o jovem aparece em frente ao Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Professora Jayr Luiza de Campos Untar, onde trabalhava. Por volta das 20h26, ele conversa com o motociclista, coloca um capacete branco e sobe no veículo. Desde então, a família não tinha notícias de seu paradeiro.
As investigações são conduzidas pelo delegado Bruno Abreu Magalhães, da DHPP. Na manhã desta quinta-feira (8), antes da prisão do suspeito e da localização do corpo, o delegado afirmou que a Polícia Civil seguia uma linha de investigação definida, mas evitou divulgar detalhes para não comprometer as diligências.
Bruno também relatou que a mãe do professor esteve na delegacia na quarta-feira (7), quando os dois tiveram uma conversa sobre o andamento das investigações.