Em depoimento à PJC, motorista que matou idosa na Avenida da Feb diz que vítima atropelou seu carro e nega fuga
Advogado diz que carro ficou avariado e precisou seguir até rotatória para retornar; delegado vê evidências claras de que ele poderia ter evitado o atropelamento e narrativa infeliz e injustificável
O advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos foi identificado como o motorista de uma Fiat Toro preso, nesta terça-feira (20), suspeito de atropelar e matar a idosa Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, de 72 anos, na Avenida da Feb, em Várzea Grande. Em depoimento, o jurista culpou a vítima, afirmando que ela quem "atropelou" seu veículo, se chocando contra a lateral esquerda do mesmo. As informações foram confirmadas ao #rdnews pelo delegado Christian Cabral da Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran).
Segundo o delegado, Paulo Roberto negou ter atropelado a vítima e tentado fugir do local após o acidente. Segundo o advogado, o motivo que o impediu de parar o carro foi porque o mesmo ficou avariado após ser "acertado" pela vítima e ele não teria conseguido parar seu veículo pois o volante, segundo ele, não estava mais virando para a direita.
Rodinei Crescêncio/Alan Cosme
O delegado Christian Cabral ao fundo e o advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos (no detalhe)
Ainda em depoimento, Paulo teria dito que esse foi o motivo por ele ter dirigido até o Shopping Várzea Grande - que fica a quase 3 km de distância do local do acidente -, para fazer a rotatória e conseguir virar e retornar - e não que estivesse fugindo.
“O interrogatório aceita que a pessoa fale o que quiser, mas eu acho que ele [Paulo Roberto] foi muito infeliz na escolha que ele fez de criar essa narrativa para justificar o injustificável. As evidências são muito claras”, disse o delegado, que enfatizou que as imagens de câmeras de segurança mostraram que o motorista estava acima do limite de velocidade, possivelmente ultrapassando dos 100 km/h.
“A situação era favorável ao motorista, pois a via estava limpa e tinha ampla visibilidade. Além disso a pedestre já estava no fim da travessia. Ele [Paulo Roberto] poderia ter dado só um ‘totó’ no freio [frenagem suave], reduzido a velocidade e vir um pouquinho só pra direita e teria evitado tudo, mas não evitou e não sei o porquê. Ele não conseguiu explicar o que ele estava fazendo pra não prestar atenção”, relatou Christian Cabral.
Histórico criminal
O delegado ainda mencionou que Paulo Roberto possui dois homicídios em seu histórico criminal, sendo o primeiro ocorrido em 1998, quando ele era policial civil no estado do Rio de Janeiro e teria matado o delegado Eduardo da Rocha Coelho a tiros, dentro de uma viatura policial.
À época ele chegou a ser preso, mas conseguiu fugir, vindo para Mato Grosso, onde mudou de nome, tornando-se o empresário Francisco de Ângelis Vaccani Lima. Em 2004, ele teria matado Rosimeire Maria da Silva, de 19 anos, que, supostamente, seria a amante dele. A jovem foi acusada de traição e morreu asfixiada em uma banheira de um quarto de motel, em Juscimeira.
O caso ganhou repercussão devido a atitude a sangue frio de Paulo Roberto, que teria decapitado o corpo da jovem e cortado os dedos dela, em uma tentativa de atrapalhar as investigações policiais. Além disso, ele ainda teria descartado partes do corpo nos rios São Lourenço e das Mortes.
A verdadeira identidade de Paulo foi descoberta após o mesmo prestar depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde ainda teria se jogado do quarto andar do prédio em uma tentativa de fuga, entretanto acabou hospitalizado em Cuiabá.
“Ele tem duas passagens criminais, inclusive dois homicídios no histórico dele. Ele, inclusive, tentou simular que estava passando mal na esperança de ficar hospitalizado e não ser preso, mas ele foi mesmo para o hospital e, lá, o médico falou que não tinha nada e liberou ele. Liberado, ele veio pra delegacia e foi flagranteado pelo crime de trânsito”, destacou o delegado.