Cuiabá, 26/09/2026

Empresário foragido é sócio de cervejaria junto com esposa de ex-secretário

Inquérito da PF apura se recursos públicos foram utilizados na aquisição da cervejaria

Apontado como suposto laranja, o empresário Liandro Ventura da Silva segue foragido. Ele é um dos alvos da operação da PF Cupincha, que apura esquema de desvio recursos e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, as verbas teriam sido supostamente utilizadas na aquisição da cervejaria Cuyabana.

O nome de Liandro aparece na lista de sócios da cervejaria, que também tem entre as donas Joany Costa de Deus, esposa do ex-secretário de Saúde Célio Rodrigues, preso ontem (28) devido envolvimento nos possíveis crimes praticados.

Liandro também é dono da empresa Ventura Prestadora de Serviços Médicos Hospitalares Ltda, que tem nome fantasia Hospmed Servicos Medicos e Hospitalares. Na operação, deflagrada nesta quinta, a PF também prendeu Paulo Roberto de Souza Jamur, em Curitiba.

Rodinei Crescêncio

Em coletiva, o delegado responsável pela investigação Charles Vinicius de Cabral Motta disse que há provas que ligam Célio ao empresário e a cervejaria. “Alguns indícios obtidos durante a investigação dão conta que a cervejaria está em nome de duas pessoas, mas, na verdade, os sócios ocultos dela seriam as pessoas que sofreram medidas restritivas de hoje”, disse, sem identificar nomes dos envolvidos.

As investigações prosseguem e a PF ainda apura o montante supostamente desviado. Por enquanto, o que se sabe é que os pagamentos feitos e "quarterizados" pelas empresas investigadas superaram os R$ 100 milhões. O dinheiro era destinado ao combate à covid-19. “Uma coisa que há prova, é de que as empresas prestavam serviços para o município de Cuiabá, em leitos de enfermaria e UTIs específicos da Covid-19. As provas reunidas demonstram que ao menos uma parte destes valores não chegou ao destino que se previa", disse o delegado.

Segundo a investigação, um grupo empresarial, que forneceu serviços à secretaria municipal de Saúde de Cuiabá entre 2019 e 2021, manteve-se à frente dos serviços públicos supostamente mediante o pagamento de vantagens indevidas, seja de forma direta ou por intermédio de empresas de consultoria, turismo ou até mesmo recém transformadas para o ramo da saúde. A operação de ontem é um desdobramento da Curare.