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Polícia Quinta-feira, 28 de Outubro de 2021, 12:28 - A | A

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CUPINCHA

Dinheiro desviado por ex-secretário teria sido usado para comprar cervejaria

PF busca refazer do dinheiro supostamente desviado para desvendar novos braços do suposto esquema

Allan Pereira e Bárbara Sá

Rodinei Crescêncio

Ex-secret�rio Celio Rodrigues

Investigação, que culminou na deflagração da Operação Cupincha, revela que parte do dinheiro supostamente desviado da saúde de Cuiabá serviu para comprar a Cervejaria Cuyabana. A ação, deflagrada na manhã desta quinta (28), cumpriu um mandado de prisão na Capital e um em Curitiba - e uma terceira pessoa está foragida. Agentes apreenderam diversos veículos de luxo e uma lancha na região do Manso.

Foram presos o ex-secretário Célio Rodrigues, que também é ex-diretor-geral da Empresa Cuiabana de Saúde, e o empresário Paulo Roberto de Souza Jamur. 

Em coletiva, o superintendente da PF Sergio Sadao Mori, o delegado de Combate ao Crime Organizado Jorge Vinícius Gobira Nunes e o responsável pela investigação Charles Vinicius de Cabral Motta explicaram à imprensa que as investigações estão refazendo o caminho do dinheiro supostamente desviado dos cofres da Saúde da Capital para desvendar novos braços dos crimes investigados.

Rodinei Crescêncio

Delegado de Combate ao Crime Organizado Jorge Vin�cius Gobira Nunes, superintendente da PF�Sergio Sad�o Mori e delegado respons�vel pela investiga��o Charles Vinicius de Cabral Motta

Delegado de Combate ao Crime Organizado Jorge Gobira, superintendente da PF Sergio Sadão e delegado responsável pela investigação Charles Vinicius

Segundo Charles, que presidiu o inquérito, há provas que ligam Célio ao empresário e a cervejaria. “Alguns indícios obtidos durante a investigação dão conta que a cervejaria está em nome de duas pessoas, mas, na verdade, os sócios ocultos dela seriam as pessoas que sofreram medidas restritivas de hoje”, disse, sem identificar nomes dos envolvidos. Já se sabe que os alvos das medidas são Célio, Paulo e o laranja ainda não identificado.

Charles não deu mais detalhes porque a investigação corre sob segredo de justiça. O delegado pontua também que “as pessoas que sofreram alguma medida têm algum envolvimento a ser demonstrado". De acordo com a PF, Paulo e Célio são sócios na cervejaria Cuyabana, que teria sido adquirida por eles de maneira oculta. Empresa também é alvo de busca e apreensão na operação de hoje.

Conforme o delegado responsável pelo inquérito, ainda não é possível quantificar o volume de recursos que teriam sido desviados pelo grupo. Porém, os pagamentos feitos e "quarterizados" pelas empresas envolvidas no esquema, superaram a ordem dos R$ 100 milhões.

O dinheiro do qual os alvos se apropriaram, seria destino ao combate à Covid-19. “Uma coisa que há prova, é de que as empresas prestavam serviços para o município de Cuiabá, em leitos de enfermaria e UTIs específicos da Covid-19. As provas reunidas demonstram que ao menos uma parte destes valores não chegou ao destino que se previa", disse o delegado.

PF

Lancha apreendida no lago do Manso

A reportagem do apurou que a Cervejaria Cuyabana foi comprada supostamente com dinheiro desviado. Antes dos novos donos, o proprietário da empresa era o empresário Ricardo Augusto Sguarezi, o delator de um esquema de propinas que teriam sido pagos em obras na secretaria de Estado de Educação (Seduc). Ele teria vendido a cervejaria para Paulo e para um dos “laranjas” ainda não identificado, que está foragido. Já Célio seria o suposto sócio oculto do empreendimento.

As investigações revelam que um grupo empresarial, que fornece serviços à secretaria municipal de Saúde de Cuiabá e que recebeu, entre os anos de 2019 e 2021, manteve-se à frente dos serviços públicos mediante o pagamento de vantagens indevidas, seja de forma direta ou por intermédio de empresas de consultoria, turismo ou até mesmo recém transformadas para o ramo da saúde.

Paralelamente, o grupo empresarial investigado na primeira fase da Operação Curare promovia supostas “quarteirizações” de contratos administrativos, que viriam a beneficiar, em última instância, o servidor responsável pelas contratações com a secretaria de Saúde e Empresa Cuiabana de Saúde Pública, incluindo o pagamento de suas despesas pessoais.

Em nota, a Prefeitura de Cuiabá ressalta "que nenhum mandado de busca e apreensão foi cumprido em prédio do município. Destaca ainda que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações".

Ainda durante coletiva de hoje, a Polícia Federal informou que não há indicios de qualquer ligação da operação Capincha com o prefeito afastado Emanuel Pinheiro (MDB).

PF

Carro apreendido no Paran�, registrado em nome de terceiro

Bens apreendidos

Conforme as informações da Polícia Federal, carros de luxo foram apreendidos em Curitiba (PR). Eles estariam em nome de terceiros e não do empresário Paulo Roberto de Souza Jamur, que seria sócio de Célio e também participante do esquema.

Os agentes também estiveram no Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães, onde apreenderam uma lancha de alto padrão. Ainda está sendo investigado pela Polícia Federal se ela é de propriedade do ex-secretário. Ao todo, foram expedidos 13 mandados de busca e apreensão em Cuiabá e Curitiba, além de medidas de sequestro de bens, direitos e valores.

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