Cuiabá, 29/10/2026

Ex-cunhado de Sérgio Ricardo sacava dinheiro e levava ao TCE; PF aponta repasses de R$ 2,2 mi

Segundo a PF, Adriangelo Antunes recebeu R$ 2,2 milhões e distribuiu valores entre contas da esposa, da mãe e da filha para ocultar recursos

O secretário executivo de comissão permanente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Adriangelo Barros Antunes, ex-cunhado do presidente do órgão, Sérgio Ricardo, alvos da Operação Tomada de Contas, da Polícia Federal, foi flagrado realizando saques e o transporte de dinheiro em espécie oriundo das contas utilizadas pelo núcleo principal da investigação. Eles foram presos suspeitos de desviarem recursos público do Estado.

PF/Montagem

Adriangelo Barros Antunes (esquerda), um dos alvos presos na operação

Em 14 de outubro de 2025, a PF o flagrou realizando saque em uma agência bancária e se deslocando às dependências do TCE-MT. Registra-se ainda que ele teria recebido R$ 2,2 milhões a partir de setembro de 2025. Ele ainda foi responsável por coletar recursos sacados pela chefe de gabinente de Sérgio Ricardo, Roseli Loss, em pelo menos seis oportunidades.

Sobre repasses feitos às contas de Adriangelo, a PF identificou que ele fracionou o dinheiro nas contas da esposa, mãe e filha, buscando, segundo a apuração, a ocultação de valores. Assim, a função de Adriangelo é compreendida também como peça chave no possível esquema montado a partir da presidência do Tribunal de Contas. Deste modo, a prisão preventiva foi solicitada e acata pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Og Fernandes.

"A estrutura investigada apresenta elevado grau de organização, divisão funcional de tarefas, capacidade de adaptação a mecanismos de fiscalização e expressiva disponibilidade financeira, elementos que evidenciam a insuficiência das cautelares alternativas para neutralização imediata dos riscos à ordem pública, à instrução criminal e da própria instrução processual", diz trecho do documento.

Conselheiros afetados

Conforme já publicado pelo #rdnews, Sérgio Ricardo, na função de presidente, foi o único conselheiro preso, diante da possibilidade de interferência nas investigações, já que é detentor de grande influência. Outros três conselheiros, que também foram alvos da PF, foram afastados do cargo, sendo eles: o conselheiro e Corregedor-geral Guilherme Antonio Maluf; e os conselheiros José Carlos Novelli e Alisson Alencar.

Annie Souza/Rdnews

 Quadro de investigados na Operação Tomada de Contas

Operação

Nesta quinta, 180 policiais federais foram às ruas para cumprir os mandados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Ao todo, foram expedidos 26 mandados de busca e apreensão, além de medidas de afastamento de sigilos e sequestro de bens, autorizadas pelo STJ. 

Apreensões

Agentes da Polícia Federal apreenderam dinheiro em espécie, carros de luxo, relógios, documentos e malotes nesta quinta-feira (29). São diversos relógios de luxo, diversas notas de real, dólar e até euros. Entre os bens apreendidos também estão veículos de luxo das marcas Audi e Mercedes. A ação investiga supostas irregularidades na gestão de contratos administrativos e na realização de pagamentos a servidores da corte.

Outro lado

O advogado Fernando Márcio Vareiro, que integra a defesa de Sérgio Ricardo, informou ao #rdnews que os advogados ainda buscam acesso ao conteúdo completo da investigação da Operação Tomada de Contas e, por isso, não têm posicionamento oficial sobre o caso. Segundo ele, o advogado Saulo Gahyva ficará à frente da defesa do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

Responsável pela defesa de Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, o advogado Vinicius Segatto também afirmou que precisa conhecer o teor da investigação antes de se manifestar.

Em nota, o TCE afirmou que vai adotar as providências necessárias ao cumprimento das determinações do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

"A instituição assegura aos servidores, aos órgãos públicos jurisdicionados e à sociedade mato-grossense o compromisso com a normalidade administrativa, a continuidade dos trabalhos e a regularidade das atividades institucionais", escreveu a instituição.

As defesas dos demais alvos também foram procuradas, mas não responderam até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto para manifestações.