Ex-secretário é investigado por transporte de drogas compradas do PCC em SP
Borgato, preso durante operação da PF hoje, já passou por corpo de delito e foi transferido para a PCE
Rodinei Crescêncio
O ex-secretário de Ciência e Tecnologia e pré-candidato a deputado federal Nilton Borgato (PSD) foi preso por tráfico internacional de drogas e formação de organização criminosa. Ele foi alvo hoje (19) da Polícia Federal durante a Operação Descobrimento. O #rdnews apurou que a função dele era de transporte das drogas compradas em São Paulo, do Primeiro Comando da Capital (PCC). O ex-secretário de governo teria realizado ao menos 5 transportes.
Bortago já passou por exame de corpo de delito e foi encaminhando para a Penitenciária Central do Estado (PCE).
Segundo a reportagem apurou, o investigado agia em parceria com Rowles Magalhães Pereira da Silva, mais conhecido como o lobista do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), preso também hoje em São Paulo, durante a operação. Os dois seriam responsáveis por enviar a droga dos grandes fornecedores para a Europa.
Agentes da PF cumpriram mandados na casa da ex-esposa de Borgato e prefeita de Glória D'oeste, Gheysa Maria Bonfim Borgato (PSD). Na casa dele, no Residencial Harmonia onde foi preso, foram encontrados em 12 pacotes de inúmeras pedras de diamantes que serão enviadas à PF da Bahia, que investiga o crime.
Na mesma operação, a doleira Nelma Kodama foi presa suspeita de atuar como doleira para o narcotráfico. Ela chegou a ser condenada na Operação Lava Jato. Investigações apontam que ela tinha contato com Rowles, muito conhecido em Mato Grosso. Pivô de denúncia sobre o pagamento de propina nas obras do VLT. Inclusive a doleira teria namorado Rowles.
Divulgação
Descoberta do esquema
Todo esquema em que liga o ex-secretário de estado com o PCC e o tráfico internacional de drogas, foi descoberto em fevereiro de 2021, durante uma apreensão de 595 kg de cocaína escondidas em um aeronave, de uma empresa adquirida por Rowles, naquele ano.
Neste voo particular que saiu de São Paulo com destino a Portugal, que acabou apreendido em Salvador, por conta de os pilotos da companhia aérea Omni terem desconfiado da carga a ser transportada, tinha dentre os passageiros empresários do futebol.
Conforme informações do jornal português Correio da Manhã, a aeronave saiu de Portugal com destino ao Brasil no dia 27 de janeiro com três tripulantes e dois passageiros (João Loureiro, ex-presidente do Boavista, e um cidadão espanhol). O regresso estava previsto para o dia 06 de fevereiro, mas foi sendo adiado, até partir apenas no dia 09 deste mês, tendo apenas a tripulação.
Além do ex-presidente do Boavista, a aeronave deveria levar para Portugal, de acordo com a publicação portuguesa, os empresários Bruno Macedo, Hugo Cajuda e Bruno Carvalho Santos, todos ligados a grandes clubes e personalidades do futebol português. O zagueiro Lucas Veríssimo, contratado pelo Benfica junto ao Santos, também estava como possível passageiro, mas o clube português mudou de ideia e preferiu que o jogador chegasse a Portugal por um voo comercial que fez escala na França.
Até o momento, o único que foi ouvido pelas autoridades foi João Loureiro, ex-presidente do Boavista. Durante quatro horas ele explicou que não teve qualquer envolvimento no caso e que já estava decidido a não viajar na aeronave. A carga ilegal estava escondida em vários pacotes com logotipos de marcas esportivas.
A reportagem do #rdnews ainda tenta contato com o advogado do ex-secretário, Luiz Derzi, mas não obteve respostas. Entrou em contato também com a prefeita de Glória D'oeste, mas as ligações não foram atendidas.
Operação
As medidas judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Federal de Salvador/BA e pela Justiça portuguesa. A Justiça brasileira também decretou medidas patrimoniais de apreensão, sequestro de imóveis e bloqueios de valores em contas bancárias usadas pelos investigados.
No curso das investigações, a PF contou com a colaboração da DEA (Drug Enforcement Administration - Agência norte-americana de combate às drogas), da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária Portuguesa e do Ministério Público Federal.
Rodinei Crescêncio