Garimpeiro investigado em operação fez Pix para Bolsonaro e Janaina Riva
Além de atuar no ramo da mineração, Ney Garimpeiro costuma fazer doações para políticos e filantropia
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O Grupo Fomentas Mining Company, que atua em Mato Grosso e no Pará, é um dos principais alvos da Operação Hermes (Hg), deflagrada pela Polícia Federal e Ibama contra o contrabando e acobertamento de mercúrio, produto destinado ao abastecimento de garimpos em estados da Amazônia Legal. A empresa pertence a Valdinei Mauro de Souza, conhecido como Ney Garimpeiro.
Além de atuar no ramo da mineração, Ney Garimpeiro costuma fazer doações para políticos e filantropia. Somente nas eleições de 2022, ele doou R$ 10 mil para o presidente da República Jair Bolsonaro (PL), que não se reelegeu.
Ney Garimpeiro também doou R$ 50 mil para deputada estadual reeleita Janaina Riva (MDB). Outra candidata à Assembleia, que não se elegeu, recebeu R$ 100 mil do empresário. Todas as doações foram via Pix.
Além disso, Ney Garimpeiro faz filantropia. Costuma fazer doações mensais para o Hospital Municipal de Poconé, sua maior base de atuação. Com a vitória do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem era opositor, o empresário chegou a ameaçar suspender o repasse, mas acabou voltando atrás após uma série de apelos do prefeito Tatá Amaral. Veja Vídeo.
De acordo com registros da Agência Nacional de Mineração (ANM), Ney Garimpeiro tem pouco mais de 1.700 hectares em permissões para lavra garimpeira de ouro e minério de ouro em duas cidades do Mato Grosso. Em Poconé, maior base do empresário, são 1.325 hectares, o equivalente a cerca de 1.800 campos de futebol, enquanto há outros 408 hectares em Nossa Senhora do Livramento (MT). Além disso, atua no Pará.
A PF cumpriu três mandados contra Ney Garimpeiro. Dois em Poconé e um em Nossa Senhora do Livramento.
Estão sendo cumpridos mandados em Mato Grosso, São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rondônia, incluindo casa, sedes de empresas, depósitos e áreas de mineração. A investigação mira crimes contra o meio ambiente, comércio ilegal de mercúrio, organização e associação criminosa, receptação, contrabando, falsidade documental e lavagem de dinheiro. Além das diligências, foram determinados o sequestro e indisponibilidade de bens dos investigados em montante superior a R$ 1,116 bilhão, correspondente ao valor calculado de prejuízo ao erário.
Ney Garimpeiro nega envolvimento
Com relação a Operação Hermes (Hg) deflagrada nesta quinta-feira (1º), o grupo Fomentas Mining Company informa que ainda não teve acesso a decisão judicial.
O que se tem de informação até o momento é que uma das empresas do grupo foi alvo de busca apreensão, por ter comprado mercúrio de empresas supostamente irregulares.
O empresário Valdinei Mauro de Souza, por sua vez, não foi alvo da referida operação.
O grupo é dos pioneiros em Mato Grosso a iniciar a eliminação do mercúrio no processo de extração do ouro, inclusive tendo sido premiado por tal iniciativa.
Por fim, a Fomentas irá prestar todas as informações para colaborar com as investigações e acredita tanto no trabalho policial quanto da Justiça para esclarecer os fatos.