Jovem teve hemorragia em vários pontos do corpo, diz laudo sobre causa da morte
Reprodução Facebook
Keitiane Eliza, 27 anos, passou por 3 cirurgias estéticas e tomou 7 bolsas de sangue
Laudo de necropsia da Perícia Técnica Oficial (Politec) confirma a análise preliminar de choque hemorrágico (grande perda de sangue) como a principal causa da morte da vendedora Keitiane Eliza da Silva, que morreu aos 27 anos depois de passar por três procedimentos estéticos, em um hospital de Cuiabá.
Segundo o documento, que o #rdnews teve acesso, a hemorragia não ocorreu apenas em um local do corpo, mas de forma tão espalhada quanto às incisões cirúrgicas realizadas. Também destaca alguma espécie de distúrbio de coagulação como causa do problema. A vendedora tinha passado por três procedimentos estéticos – lipoaspiração com enxerto nos glúteos, abdominoplastia (retirada de gordura do abdômen) e correção de cicatriz nos seios.
Nos comentários, a análise começa destacando a palidez do corpo da vendedora, causada pela intensa perda de sangue. Destaca as lesões no tórax e abdômen provocadas e compatíveis com os procedimentos cirúrgicos com fim estético. Após passar pelos procedimentos, ter uma piora e evoluir para óbito, os peritos encontraram grande quantidade de sangue na região abdominal.
Contudo, eles apontam que não foi identificada lesão de vaso sanguíneo intra-abdominal, local por onde passa uma importante artéria do corpo. Também não identificou trombose pulmonar – entupimento das artérias do pulmão por um coágulo sanguíneo. Foi identificada uma lesão de pequenos vasos da parede torácica causada pela instalação do dreno e que, isoladamente, não justifica a grande hemorragia.
“Distúrbios de coagulação podem ocorrer em pacientes com sangramento e submetidos a transfusão sanguíneo volumosa podendo hipoteticamente causar sangramento intenso e difuso”
Diz trecho do laudoO laudo aponta, explicitamente, que o choque hemorrágico teve “origem tão difusa quanto às incisões cirúrgicas realizadas”. Destaca também algum tipo de distúrbio na coagulação que pode ter favorecido a hemorragia. Além disso, a transfusão de sangue de sete bolsas de sangue, para manter a vendedora viva, também pode ter piorado o problema.
“Distúrbios de coagulação podem ocorrer em pacientes com sangramento e submetidos a transfusão sanguíneo volumosa podendo hipoteticamente causar sangramento intenso e difuso”, ressalta.
Os peritos pedem mais exames para esclarecer mais a verdadeira causa da morte.
O caso
Na sexta de 13 de abril, Keitiane passou pelos três procedimentos, que tiveram seis horas de duração, no Hospital Valore Day. A vendedora sentiu desconforto respiratório no pós-operatório e, conforme relato feito por um familiar ao #rdnews, foi piorando cada vez mais. "Por volta das 00h ela ainda estava mal. Ela deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) às 9h. E aí teve três paradas cardíacas e tomou 7 bolsas de sangue”, disse.
Ele evoluiu para óbito por volta do 12h de do sábado do dia seguinte. O corpo foi liberado pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A família também registrou boletim de ocorrência e aponta o hospital não não possuía condições necessárias para realizar os procedimentos estéticos por não ter UTI.
Por sua vez, o cirurgião plástico Alexandre Veloso, que fez os procedimentos, nega a acusação e diz que todos as ações preconizadas foram tomadas e a paciente recebeu atendimento imediato e foi levada para UTI.
Também em nota, o advogado do cirurgião afirma que nenhum dos exames demonstrou anormalidade, o que teria evidenciado que a paciente estava apta ao procedimento. Disse ainda que todo procedimento cirurgica possui risco e que se coloca a disposição da família. Finaliza que prestou toda a assistência à vítima.