Cuiabá, 27/10/2026

Polícia indicia três indígenas por desvio de verbas públicas destinadas à merenda escolar

Valores desviados totalizaram R$ 25.600,00; indiciados eram professores de uma escola na Aldeia Sangradouro

A Polícia Civil de Mato Grosso indiciou três indígenas pelos crimes de peculato e associação criminosa em General Carneiro (a 455 km de Cuiabá). As verbas que teriam sido desviadas pelo grupo eram destinadas à aquisição de merenda para estudantes indígenas da escola da Aldeia Sangradouro. 

Segundo a investigação conduzida pela Delegacia de Polícia de General Carneiro, O.B.M., de 57 anos, A.T., de 44 anos, e P.P., de 43 anos, eram, respectivamente, diretor e professores e faziam parte da gestão da Escola Sangradouro, à época dos fatos, e teriam se associado para praticarem os crimes. O diretor eleito, que assumiu posteriormente a escola, foi quem tomou ciência da situação e denunciou o esquema à polícia.

Reprodução

A Polícia Civil apurou que os valores desviados totalizam R$ 25,6 mil e teria sido repassados por meio de cheques assinados pelos investigados a parentes e pessoas próximas dos indiciados sem ter qualquer lastro e vínculo com a comunidade escolar.

Segundo as investigações, para validar e manter as emissões de cheques, que se destinavam à aquisição de merenda escolar, os indiciados teriam confeccionado atas, sem dar publicidade, para dar ar de legalidade aos atos. Além disso, nas atas, o diretor eleito da escola ficou impedido de ter acesso às decisões.

Os investigados ficaram em silêncio em seus interrogatórios e depois divulgaram entre a aldeia e a comunidade escolar que as assinaturas nos respectivos cheques seriam falsas, na tentativa de se eximirem das responsabilidades e confundir as apurações da Polícia Civil.

Análises das prestações de contas feitas pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) apontaram as irregularidades graves, que geraram a instauração de Processo Administrativo Disciplinar.  

O inquérito foi concluído neste mês de maio durante o mutirão da Delegacia Regional de Polícia de Barra do Garças para reduzir o acervo de procedimentos policiais, evitando a impunidade. O caso foi relatado pelo delegado Joaquim Leitão Júnior. “Não podemos admitir que verbas públicas destinadas à merenda escolar sejam desviadas, por quem quer que seja”, comentou.