Presa com Sérgio Ricardo, chefe de gabinete fazia saques de R$ 3,5 mi e repassava dinheiro, diz PF
Além de estar na função de chefe de gabinete, ambos trabalharam juntos desde quando Sérgio atuou como deputado na ALMT
A servidora do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Roseli Loss, chefe de gabinete do presidente do orgão, Sérgio Ricardo, é apontada como braço operacional financeiro no âmbito da Operação Tomada de Contas, que apura desvio de recursos públicos do Estado. A dupla foi presa preventivamente por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta quinta-feira (29).
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Roseli Loss (esquerda), chefe de gabinete do presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo
Segundo a investigação, Roseli pertencia a rede de estrita confiança de Sérgio Ricardo, ao ponto de ter se tornado sua procuradora bancária em outubro de 2025, embora antes de disso já efetuasse saques e transações bancárias - cerca de R$ 740 mil em 2024.
Além de estar na função de chefe de gabinete, ambos trabalharam juntos desde quando Sérgio atuou como deputado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Segundo a investigação, assim, figura-se o laço de confiança para cuidar da parte financeira do possível esquema.
No caso em questão, Roseli realizava saques das contas vinculadas ao núcleo central da organização, figurando repetidamente nas imagens captadas no posto bancário instalado no próprio TCE-MT. Ela foi a pessoa responsável por saques que somam R$ 3,5 milhões, sendo certo que, em seis oportunidades, os valores foram entregues a Adriangelo Barros Antunes, secretário executivo de comissão permanente e ex-cunhado do presidente.
Outros indícios captados pela PF apontam que Roselli operava contas das quais não seria titular e movimentaria recursos sem possuir vínculo bancário próprio relevante junto à cooperativa, que no caso, era Sérgio Ricardo, conforme registro biométrico facial. Nas redes sociais, a chefe de gabinete ostentava uma vida de luxo, com viagens por inúmeros países.
Annie Souza/Rdnews
Quadro de investigados na Operação Tomada de Contas
A investigação da PF apura indícios de utilização da suspensão de contratos administrativos como mecanismo de pressão sobre fornecedores e de tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos.
Mais de 180 policiais federais cumprem 6 mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão, além de medidas de afastamento de sigilos e sequestro de bens, autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). As ações ocorrem em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Outro lado
O advogado Fernando Márcio Vareiro, que integra a defesa de Sérgio Ricardo, informou ao #rdnews que os advogados ainda buscam acesso ao conteúdo completo da investigação da Operação Tomada de Contas e, por isso, não têm posicionamento oficial sobre o caso. Segundo ele, o advogado Saulo Gahyva ficará à frente da defesa do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
Responsável pela defesa de Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, o advogado Vinicius Segatto também afirmou que precisa conhecer o teor da investigação antes de se manifestar.
As defesas dos demais alvos também foram procuradas, mas não responderam até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto para manifestações.