Tenente nega perseguição e diz que treinamento foi normal e tranquilo
A tenente Izadora Ledur de Souza e o tenente coronel Revelis negaram, durante oitivas realizadas pela Corregedoria do Corpo de Bombeiros, que tenham ocorrido perseguições durante o curso de formação do Corpo de Bombeiros. Disseram ainda que Rodrigo Claro, que morreu em 16 de novembro, estava muito bem quando chegou à Lagoa Trevisan para o treinamento. Rodrigo, entretanto, passou mal, foi levado ao hospital, onde entrou em coma e não resistiu.
Izadora ter perseguido aluno em treinamento
Segundo o depoimento dos oficiais, não ocorreram também os populares “caldos”. Garantem que todo o treinamento ocorreu de forma “normal” e “tranquila”. O relato deles contradizem os depoimentos de alunos que afirmam, com riqueza de detalhes, como a tenente Izadora, supostamente agiu na prova. “Nisso veio a tenente (Izadora) e deu uns caldos nele, e quando eu via, tentava puxar ele para cima. A tenente estava em cima dele, pelas costas, para tentar afogar o Claro”, disse um deles.
De acordo com eles, a oficial costumava ser cruel com os alunos, fazendo uso uma espécie de tortura psicológica. “Ela cuspia na cara dos alunos, jogava água na cara e humilhava as alunas”, relatou uma das testemunhas.
Os pais de Rodrigo já foram ouvidos tanto pela Corregedoria do Corpo de Bombeiros, quanto pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). “A previsão é de que o IPM seja concluído na terça (20) e o da DHPP em janeiro”, explica o advogado da família de Rodrigo, Júlio Cesar Lopes.
Está é a segunda vez que a tenente é denunciada por pressão psicológica contra alunos. No curso anterior, houve uma denuncia anônima contra a oficial, acusada de fazer pressão psicológica contra alunos. Entretanto, conforme o comandante, nada foi comprovado.
Além dela, outros sete militares envolvidos no exercício foram afastados de suas atividades e cumprem atualmente funções administrativas. De acordo com o coronel Júlio Cézar, a medida foi adotada para garantir a lisura do procedimento.
Laudo
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) ainda não ficou pronto. Entretanto, o exame de angiografia digital dos quatro vasos cerebrais do Rodrigo, apontou que ele não tinha evidências de malformações ou dilatação aneurismáticas, o que contesta os fortes indícios de que o aluno tinha alguma doença pré-existente, que teria ocasionado complicações que levaram à morte.
O laudo foi apresentado durante depoimento do médico Roger Thomaz Rotta Medeiros, que prestou depoimento na quinta (1º) na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).