Vendedora que passou por lipo morreu de choque hemorrágico, diz laudo preliminar
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Vendedora Keitiane Eliza da Silva, morreu após apresentar quadro de falta de ar
Laudo preliminar da Perícia Técnica Oficial (Politec) aponta que a causa da morte da vendedora Keitiane Eliza da Silva, que veio a óbito aos 27 anos depois de uma série de procedimentos estéticos, foi por choque hemorrágico – grande perda de sangue. Não há sinal de embolia pulmonar.
O médico que fez os procedimentos é o cirurgião plástico Alexandre Veloso, e a família da vítima acredita em negligência médica. O cirurgião, por sua vez nega, e disse que todos os procedimentos preconizados foram tomados e a paciente recebeu atendimento imediato e foi levada para UTI.
Keitiane veio a ter três paradas cardíacas antes de morrer. A vendedora tinha passado por três procedimentos estéticos horas antes – lipoaspiração, com enxerto nos glúteos, abdominoplastia (retirada de gordura do abdômen) e correção de cicatriz nos seios. O corpo foi liberado pela Polícia Civil e o caso é investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A vendedora fez os procedimentos, que tiveram seis horas de duração nesta quarta (14), em um hospital no bairro Santa Rosa, em Cuiabá. No pós-operatório, Keitiane sentiu falta de ar e foi piorando, conforme relato feito por um familiar ao #rdnews. "Por volta das 00h ela ainda estava mal. Ela deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) às 9h. E aí teve três paradas cardíacas e tomou 7 bolsas de sangue”, disse.
Outro fator apontado pela família é que Keitiane foi diagnosticada com Covid-19 um mês antes do procedimento estético. Médicos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em Mato Grosso (SBCP) apontam que, nesses casos, orientação é que se espere pelo menos um mês após a infecção pelo vírus. Então, são realizados exames habituais pré-operatórios que apontam a possibilidade ou não de realizar a cirurgia.
No caso da vendedora, conforme nota emitida pelos profissionais responsáveis pela cirurgia, nenhum dos exames demonstrou anormalidade, o que teria evidenciado que a paciente estava apta ao procedimento. Também em nota, o advogado do cirurgião Alexandre disse que todo procedimento cirurgica possui risco e que se coloca a disposição da família. Além disso, em nota assinada pela assessoria jurídica, o cirurgião disse que toda a assistência foi dada à paciente e o exame de necropsia ainda deve apontar causa da morte.
Leia nota emitida pelo médico Alexandre Veloso no dia 14/04
A Assessoria Jurídica do Médico Cirurgião Plástico Alexandre Veloso vem a público manifestar que:
1. Realizou com rigor e à risca todos os procedimentos padrões de praxe pré-operatório para que a cirurgia plástica na paciente K. E. S. pudesse ser realizada com segurança;
2. Em pré-consulta com médicos anestesista e cardiologista, a paciente realizou todos os exames necessários e os mesmos não apresentaram nenhuma anormalidade. Portanto, a paciente estava apta ao procedimento e, assim, foi liberada para realizá-lo;
3. Os procedimentos cirúrgicos realizados foram: lipoescultura com enxerto de gordura em glúteo, abdominoplastia e correção de uma cicatriz na mama (decorrência de outro procedimento médico não realizado pelo doutor Alexandre Veloso);
4. A cirurgia da paciente foi realizada das 8h às 14h de terça (13.04). Após este horário, ela foi levada ao quarto e apresentou boa recuperação;
5. Às 19h, a jovem se queixou de falta de ar e foi imediatamente assistida pela equipe qualificada presente na clínica. O médico de plantão solicitou os exames, que não mostraram nenhuma alteração em seu quadro clínico. Às 20h, o médico Alexandre Veloso esteve com a jovem e a mesma não apresentou mais falta de ar, e os parâmetros vitais permaneceram estáveis;
6. Por volta da meia-noite de quarta (14), a jovem apresentou uma instabilidade em seu quadro e teve uma parada cardíaca. A jovem foi imediatamente atendida pela equipe médica;
7. Quando da necessidade de transferência para uma Unidade Intensiva de Saúde (UTI), a jovem recebeu atenção imediata e o médico se prontificou a encaminhá-la ao Hospital Santa Rosa. Lamentavelmente, K. E. S. veio a óbito na data de hoje;
8. Devido ao lamentável fato, a assessoria jurídica do médico Alexandre Veloso informa que disponibilizou assistentes sociais e psicólogas para prestarem atendimento aos familiares da jovem;
9. Vale reforçar que prestou todos os atendimentos necessários e em momento algum se furtou de estar presente e acompanhando a jovem. O profissional também informa que o médico está a inteira disposição dos familiares da jovem e dos órgãos competentes para prestar qualquer esclarecimento.
10. Em nome de todo corpo clínico que participou deste procedimento e dos que fizeram o atendimento posterior, principalmente em nome do médico Alexandre Veloso, a assessoria jurídica esclarece que todo procedimento cirúrgico possui risco, mas se coloca à disposição da família, da mídia e protocolos legais na certeza de que cumpriram todos os protocolos de segurança e saúde.
11. Por fim, o médico Alexandre Veloso externa seu mais profundo sentimento de pesar.
Rony de Abreu Munhoz
Assessoria jurídica"