Cuiabá, 19/09/2026

Coronel fica preso em VG; denúncias apontam privilégios



Coronel Elierson Metello permanece detido no 4º Batalhão da Polícia Militar, em VG, até julgamento
Fotos: Raiane Soares

   O coronel Elierson Metello de Siqueira, ex-comandante regional da PM de Sinop e que vinha atuando na regional de Tangará da Serra, preso pela Polícia Federal na última sexta (3) sob a acusação de grilagem de terras da União e vários crimes vinculados a ela como os crimes contra a vida, a administração pública, o meio ambiente, corrupção, peculato, prevaricação, extorsão e ameaça, está detido no 4º Batalhão da PM, em Várzea Grande. Denúncias apontam que o coronel obtém alguns privilégios no local, embora o comando do 4º Batalhão, assim como o comandante-geral da PM, coronel Benedito Campos Filho, neguem a possibilidade.

   Já o coronel Adaildon Evaristo de Moraes Costa, ex-comandante-geral da PM no governo Blairo Maggi, está preso no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap), na estrada da Guia, em Cuiabá. Segundo informações, Adaildon permanece em uma sala durante todo o tempo. PMs que passam em frente ao local ironizam o ex-comandante-geral perguntando em alto e bom som onde está o coronel. Após serem julgados, caso sejam condenados, os oficiais serão transferidos para o presídio militar, em Santo Antônio do Leverger.  Campos Filho não quis comentar oa ssunto. Se limitou a dizer que ambos permaneciam na Capital.

   A organização, que envolvia ainda outros oficiais da PM, utilizava meios criminosos para obter terras a baixo custo e, logo em seguida, revendê-las. Atuavam nos municípios do chamado "Vale do Araguaia", principalmente em Vila Rica, Santa Cruz do Xingu, Confresa, Porto Alegre do Norte, Ribeirão Cascalheira, Alto Boa Vista e São Félix do Araguaia. A quadrilha agia de três formas: grilagem de terras e extração de insumos vegetais da área da reserva indígena Maraiwatsede; expulsão de assentados de áreas já destinadas à reforma agrária; e emitia títulos de domínio falsos. O grupo é acusado ainda de fazer pressão e extorquir produtores rurais da região. A quadrilha também promovia temor entre pequenos e médios fazendeiros, que eram pressionados para vender seus imóveis a preço bem inferior ao praticado no mercado. As áreas obtidas por meio da extorsão eram negociadas a preços de mercado. Só com uma fazenda obtida pelo esquema foi vendida por R$ 15 milhões.

   As investigações foram iniciadas pela própria PM, em parceria com o Ministério Público Estadual em 2002, e se estenderam até 2005, quando foi constatado que tratavam-se de terras griladas da União - veja aqui. (Flávia Borges)