Cuiabá, 17/10/2026

Gaeco aponta que adversário de Diá financiava esquema

   O pedido de prisão de fazendeiros e militares do Vale do Araguaia, encaminhado pelo Ministério Público e Polícia Federal ao juiz federal Julier Sebastião da Silva, revela que um dos chefes do crime organizado na região é o candidato derrotado à Prefeitura de Ribeirão Cascalheira, Adário Carneiro Filho (DEM). Investigações do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), formado por promotores e policiais civis, apontam que a movimentação financeira de Adário é incompatível com a renda declarada entre 2003 e 2005.

   Num dos trechos do relatório, os investigadores chamam atenção para o pagamento de R$ 25 mil efetuado por Adário ao subtenente Adalberto da Cunha e Oliveira, preso com outros cinco militares na Operação Pluma, da PF – saiba mais aqui. O montante seria referente à propina paga aos militares pela desocupação da Fazenda Noirumbá. “Há indícios de que outros servidores públicos (fiscais e oficiais de justiça) também se beneficiaram dos recursos do investigado Adário Carneiro (...), além de proximidade com outros notórios bandidos que agem na região como Gilberto Luiz Rezende, vulgo Gilbertão, Luiz Bang, Camilão, etc” – veja mais aqui.

   Segundo o relatório, as investigações resultaram na prisão em flagrante de Adário por porte ilegal de arma de fogo, sendo que uma delas é de uso restrito. Entre os materiais apreendidos, há documentos que comprovariam pagamentos a policiais e outros servidores públicos. Também teria influência sobre os militares lotados na região.  Na casa dele, os investigadores apreenderam um bilhete com a lista de integrantes da quadrilha que ficariam responsáveis pela segurança da Fazenda Esmeralda, em Porto Alegre do Norte. Adário também seria responsável pelas armas e pagamentos a militares que, por meio de ameaças e torturas, expulsavam grileiros das terras a mando de fazendeiros – leia mais aqui. 

   Outro trecho do relatório do Gaeco aponta que a família de Adário tinha uma relação próxima com o soldado PM Alexandro Farias Lima, investigado por tráfico de drogas e armas, e por homicídio. “(...) Alguns meses atrás o Sd PM Alessandro emprestou para o Sr Adário Carneiro a importância de R$ 50 mil”, diz o relatório.

   Perseguição

   “Estamos sofrendo uma perseguição política. Somos pessoas simples e honestas e, se meu marido não tivesse disputado a eleição, jamais haveria estas denúncias”, reagiu Maria Dantas Carneiro, esposa do candidato derrotado à prefeitura, Adário Carneiro. Segundo ela, a família é perseguida por Francisco de Assis dos Santos (PT), o Diá, que derrotou Adário por uma diferença de 470 votos, mas acabou sendo cassado por compra de votos e prestação de contas irregulares, além de ser multado em R$ 26 mil.

   “Por ser procurador, o Diá usa o cargo para divulgar inverdades, mas temos consciência da nossa honestidade. Vamos processar o Diá por ingressar com uma representação em que cita meu marido como Comendador do Araguaia. Isso é uma acusação infundada de pessoas que não querem o desenvolvimento desta região. Eles (políticos supostamente ligados à Prelazia de São Félix do Araguaia) perseguem os novos moradores para que desistam e mudem de cidade”, sustentou.

   Diá teve mais de 50% dos votos válidos nas eleições e, com a cassação, o presidente da Câmara de Ribeirão Cascalheira, Daniel Correia Beraldo (PDT), passou a responder interinamente pela prefeitura até que a Justiça Eleitoral determine nova eleição no município. Adário já antecipou que pretende disputar novamente o pleito - confira aqui. "Trabalhamos honestamente. Meu marido é corretor e trabalha com compra e venda de gado. Estou confiante de que vamos provar que nunca tivemos envolvimento com criminosos e grilagem de terras”, assegurou. (Andréa Haddad)