Pitaluga discute com Maggi, entrega cargo e Pagot intervém
Fernando Ordakowski
O polêmico Paulo Pitaluga recebe "não" do governador Maggi, se irrita e só fica na Cultura até dezembro
Paulo Pitaluga, que comanda a Cultura do Estado há praticamente dois anos, acabou tendo uma áspera discussão com o governador Blairo Maggi na semana passada e o clima, que já não era dos melhores para o lado do polêmico secretário, ficou pior. Ele pediu exoneração e só não deixou a pasta de imediato por causa da interferência do seu padrinho político, o ex-secretário de Estado e diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot. Pitaluga aceitou continuar no primeiro escalão até dezembro deste ano.
O conflito foi motivado por causa da proposta apresentada pelo secretário para selar um convênio com o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Masp. O acordo resultaria na construção do Museu de Cuiabá. A obra custaria R$ 300 mil e o Estado entraria com uma contrapartida de 20%, ou seja, R$ 60 mil. Maggi pediu para Pitaluga adiar o projeto, sob argumento de que é preciso cortar despesas e, por outro lado, priorizar obras voltadas aos preparativos de Cuiabá para a Copa do Mundo de 2014. O secretário solicitou, então, que fosse cedido o Moitará Center, quase em frente ao shopping Goiabeiras, na capital. O governador disse outro "não" porque o prédio será utilizado como sede da recém-criada Agecopa, autarquia que terá 7 diretores e 80 funcionários para tocar os projetos relacionados ao Mundial de futebol pelos próximos cinco anos.
Após duas recusas do governador, Paulo Pitaluga apresentou nova sugestão: que o prédio onde hoje funciona o MT Fomento, a antiga Casa dos Governadores, localizada na rua Barão de Melgaço, no centro, viesse a sediar o Museu de Cuiabá. De novo recebeu outro "não". Na bronca e sentindo-se desprestigiado, o secretário reagiu, em tom de ironia: "O senhor não quer todo o orçamento da Cultura para a Copa do Mundo? Fica com a Copa e eu vou sair da secretaria". Maggi preferiu não prosseguir na discussão. O governador comunicou a Pagot que iria exonerar Pitaluga porque já acumulava contra ele uma série de reclamações e que não havia mais clima para tê-lo no staff. Pagot pediu paciência a Maggi e tenta atuar como bombeiro para apagar o incêndio. Pitaluga já avisou a alguns assessores que fica no posto até dezembro.
Perfil
Paulo Pitaluga é o terceiro secretário de Cultura do governo Maggi. O primeiro foi Dito Paulo, que foi substituído por João Carlos Vicente Ferreira. O atual secretário é uma das figuras mais polêmicas da administração estadual. Vem acumulando desafetos. É daqueles que não têm papas na língua, já cancelou vários projetos, institui nova lei e tem provocado a ira nos segmentos culturais. De quebra, é acusado de tomar decisões de forma intempestiva.
(16h45) - Pitaluga nega exoneração e diz que tem "extremo" respeito por Maggi
Paulo Pitaluga garante, por meio de sua assessoria, que sempre provou seu respeito e amizade ao governador Blairo Maggi. Assim, ele garante que em momento algum houve pedido de exoneração da pasta. Segundo Pitaluga, ao contrário do que diz a matéria acima, há um reforço de suas metas frente à pasta, com diversos projetos que devem ser executados por ele, com o aval de Maggi.
Eis, abaixo, a íntegra da nota enviada por Pitaluga
"Sobre o texto publicado no site RDNews nesta sexta-feira, a Secretaria de Estado de Cultura esclarece que as informações são sem consistência e descabidas, em um momento onde há tanto para se divulgar em prol das Artes e da Cultura do Estado.
1) O secretário Paulo Pitaluga sempre provou seu extremo respeito e amizade ao governador Blairo Maggi, jamais se referindo ou expressando a ele ou sobre ele de forma ostensiva conforme cita a publicação;
2) Não houve em nenhum momento pedido de exoneração pela parte do secretário Paulo Pitaluga que, ao contrário, reforçou suas metas frente a Secretaria como, por exemplo, a Feira do Livro Indígena que será lançada no próximo dia 06 de outubro, o Programa de Interiorização da Cultura e parcerias com o Ministério da Cultura, além de sonhos como o Memorial Indígena (com projeto do Niemayer), a digilitalização de todo acervo bibliográfico da Biblioteca Estevão de Mendonça (acesso infinito às publicações) e a revitalização do Porto Geral.
3) Paulo Pitaluga manifesta sim seu esforço para que o Estado tenha um Museu de Artes, porém explica que as informações que foram publicadas com citações de instituições e valores não conferem com a realidade.
4) Sobre o prédio do Moitará, a informação correta é que o espaço já estava disponibilizado como parceria para ser a sede do Museu de Artes de Mato Grosso e por questões emergenciais de infra-estrutura e o evento da Copa 2014 o mesmo foi cedido mediante conversa entre o Governador e o Secretário de Estado de Cultura. Diante da situação emergencial, a sugestão de um novo espaço partiu do próprio Governador Blairo Maggi, e a proposta está sendo estudada pela Secretaria de Estado de Cultura, o que novamente difere da informação errônea publicada pelo Site.
Informamos que esta secretaria está sempre á disposição para esclarecimentos".
Secretaria de Estado de Cultura