Cuiabá, 30/10/2026

Professora avalia que o resultado é incontestável

Maria Lúcia se considera eleita reitora da UFMT no 1º turno e contesta manobra de João Valente

  "Fizemos todos os cálculos dentro do que preceitua o regulamento e conquistamos 50,45% dos votos. A diferença foi expressiva e a vitória é incontestável. Agora, eles querer colocar regra antiga, com a questão estatística", disse neste domingo, em entrevista ao RDNews, a professora Maria Lúcia Cavalli Neder, a mais votada na disputa à Reitoria da UFMT. Segundo ela, a oposição não se conforma com o resultado e tenta levar a eleição para o segundo turno, numa jogada de tapetão, como se diz no futebol quando a disputa sai do gramado e descamba para a briga extra-campo.

   Na consulta informal realizada na sexta (18), Maria Lúcia ficou em primeiro. Sua chapa conquistou 3.565 votos de estudantes, 656 de docentes e 588 de técnicos-administrativos. A Chapa 2, encabeçada por João Valente, obteve 1.888 votos de estudantes, 321 de docentes e 764 de técnicos-administrativos, enquanto o professor Domingos Tabajara, da Chapa 3, ficou com 1.046 votos de estudantes, 179 de docentes e 129 de técnicos-administrativos.

   O resultado da apuração foi divulgado pela comissão eleitoral somente na madrugada deste domingo, com a conclusão da ata e resumo das planilhas de votação. Maria Lúcia afirma que, no embate contra Valente, teve praticamente o dobro de votos entre os eleitores docentes. "Eles querem considerar a regra antiga. Tivemos 50,4% e a regra definida estabelece que 50% mais um já garantem a eleição no primeiro turno. Vencemos e estamos respeitando a vontade popular", explica a professora. Ao mesmo tempo que considera sua chapa vencedora no primeiro turno, ela pondera que vai aguardar o resultado oficial a ser anunciado pela Comissão.

   Questionada sobre as reclamações do candidato Valente, de que teria havia interferência político-partidária no processo eleitoral, principalmente de petistas, Maria Lúcia admite que teve apoio de colegas que são militantes do PT, como foi o caso do professor e deputado estadual Alexandre Cesar, mas enfatiza que ter respaldo também de outras legendas, como PPS e PC do B. "Entendo que reitor deve ter apoio político porque depende de articulação e de respaldo para viabilizar recursos à Universidade. Temos que ter a visão de que a UFMT não pode ser partidária, mas sim plural e trabalhar a diversidade, agora os partidos precisam estar inseridos nessa discussão".

  Caso a comissão eleitoral confirme oficialmente a vitória de Maria Lúcia, esta encabeçará uma lista tríplice a ser encaminhada para o presidente Lula, que tem a autonomia para formalizar a nomeação. O mandato é de três anos. O atual reitor Paulo Speller, que se transformou em cabo eleitoral da professora Maria Lúcia, está concluindo o segundo mandato consecutivo.

   Comissão eleitoral

   Antonio Leite, membro da Comissão, explica que ata de apuração continha apenas dos dados brutos de cada urna, totalizados por chapa. Foi feito o percentual dos dados. A Comissão se restringiu aos números brutos que, após serem configurados de acordo com os artigos 7, 87 e 96 que regem os procedimentos metodológicos da consulta, resultará na quantificação do percentual. Segundo Antonio Leite, esse resultado final ser divulgado em 5 dias úteis, ou seja, o próximo dia 28. Garante que a Comissão segue rigorosamente as normas que foram estipulados para o processo.

Como ficou o resultado da consulta para Reitoria da UFMT

Chapa 1
 Reitora: Maria Lúcia Cavalli Neder
Vice-reitor: Francisco Souto
Votação:
3.565 votos de estudantes
656 de docentes
588 de técnicos-administrativos.


Chapa 2
 Reitor: João Valente
Vice-reitor: Germano Guarim
Votação:
1.888 votos de estudantes
321 de docentes
764 de técnicos-administrativos

Chapa 3
 Reitor: Domingos Tabajara de Oliveira
Vice-reitor: João de Deus Guerreiro Santos
Votação:
1.046 votos de estudantes
179 de docentes
129 de técnicos-administrativos

(Às 19h55) - Valente reage e diz que está no 2º turno

   O professor João Valente reagiu de imediato às críticas da adversária Maria Lúcia Cavalli Neder, de que ele estaria querendo levar a disputa para o segundo turno “no tapetão”. "A professora devia ter mais respeito pela comunidade acadêmica e aprender a respeitar as regras, que foram aprovadas através da normatização nº 01, de 17 de janeiro de 2008. Não existe isso de regra antiga, como ela diz. A regra é assim há 25 anos e foi aprovada novamente por um comissão de entidades representativas da Universidade. Se ela aceitou disputar nesses termos, que respeite a democracia”, afirmou.

   Segundo ele, o artigo nº 7 da normatização é claro. “O artigo diz, literalmente: O (A) Reitor (a) e Vice-Reitor(a) da UFMT será escolhida pela consulta do voto direto, paritário e secreto dos votantes, sendo considerado como Colégio de Votantes todo o segmento cadastrado aptos a votar e serão ponderados na proporção de 1/3 (um terço) para cada segmento. Se ela não consegue entender, ou respeitar, a norma, então estamos diante de um caso de Justiça mesmo”, afirmou.

   Valente esclarece que o artigo nº 7 o coloca no segundo turno, pois o resultado, seguindo a normatização, é o seguinte: Chapa 1, com 47,53%; Chapa 2, com 37,37%; e Chapa 3, com 12,28%. Os votos nulos totalizaram 2,3% e os brancos 0,5%. Ele condenou a tentativa da professora e seu grupo de “distorcer a realidade”. “Esse pessoal é assim mesmo: eles tentam aplicar um golpe, mudar a regra no meio do jogo, e depois tenta colocar a culpa nos outros. Aliás, essa é uma prática recorrente desse grupo e dos partidos que o compõem. Eles repetem mil vezes uma mentira para ver se ela acaba virando verdade. Não sou adepto dessa prática antidemocrática e irei lutar pela dignidade e decência dos resultados, sobretudo em respeito à imagem da UFMT”, afirmou.