Cuiabá, 30/10/2026

Trote deixa alunos em coma alcoólico; UFMT quer punição

   A brincadeira, que era apenas para dar  boas-vindas aos novos alunos do curso de engenharia florestal, da Universidade Federal do Estado (UFMT), o famoso trote universitário, acabou se transformando em caso de polícia. Na sexta (22), quatro estudantes que participavam de um jogo de futebol, com jovens em trajes femininos, deram entrada no Hospital e Pronto-Socorro Municipal da Capital com diagnóstico de coma alcoólico. A ocorrência foi registrada no Centro Integrado de Operações Especiais e Segurança Pública (Ciosp) Planalto.

   O trote, que é considerado um "ritual" de passagem, ou seja, um conjunto de atos e práticas que sanciona o acesso do indivíduo de um grupo ao outro, tem se transformado em zombaria, na maioria dos cursos da UFMT. Enquanto quatro estudantes foram encaminhados à unidade hospitalar, outros que também participavam do "evento" conseguiram escapar das brincadeiras. Eles denunciaram que alguns de seus colegas chegaram a ser agredidos.

   O pró-reitor da Universidade, Fabrício Carvalho, anunciou abertura de sindicância para investigar o caso. Segundo ele, trata-se do primeiro trote deste ano que trouxe consequências graves. Avisa que, se comprovada culpa dos veterenos, caberá até expulsão do curso. Fabrício foi ao Pronto-Socorro acompanhar de perto o estado de saúde dos alunos, que receberam alta no dia seguinte. Os veteranos do curso de engenharia florestal admitiram que os calouros bebem por livre e espontânea vontade. Já sobre a entrada de bebidas alccólicas no campus, os alunos afirmaram que isso nunca foi proibido, e muito menos, fiscalizado.  

   Em março deste ano, a Reitoria já havia alertado os veteranos de que não seria mais permitido trotes dentro do campus. Reforçou a regra com a divulgação da Resolução 018, conselho Universitário Consuni). Essa questão de agressão a calouros nas instituições de terceiro grau preocupa as autoridades políticas. Tramita no Senado um projeto que tipifica como crime e sujeito à detenção de seis meses a dois anos, além de multa e cumprimento da pena correspondente ao ato de violência praticado, quem realizar o chamado trote vexatório. (Lisânia Ghisi)

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Clique na imagem e veja reportagem da TVCA sobre o trote