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ARTIGOS Quarta-feira, 07 de Maio de 2025, 08:25 - A | A

Quarta-feira, 07 de Maio de 2025, 08h:25 - A | A

Nelly Winter

A arte de existir: porque resistir é nosso maior espetáculo

Nelly Winter

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Mais de dois milhões de corpos dançaram ao som de Lady Gaga no Rio de Janeiro no último sábado. Dois milhões de vozes gritaram por liberdade, respeito e mais amor. Após assistir esse espetáculo, me deparei com um sentimento único e avassalador. Dois milhões! Este número não é apenas um recorde mundial, é uma resposta coletiva e viva da diversidade, que somos potentes, nós existimos e resistimos, somos milhões.

O coro com músicas que também falam sobre nós, sobre nossas dores e batalhas não foi apenas pela emoção de um show de uma grande artista, mas uma questão política.

Além de comprovar, mais uma vez, o quanto é viável e rentável se investir em mais cultura e cidadania - transformando um espaço público em uma vitrine para o mundo, o mesmo público presente reverte também milhões em impostos para a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo.

“O coro com músicas que também falam sobre nós, sobre nossas dores e batalhas não foi apenas pela emoção de um show de uma grande artista, mas uma questão política”

Nelly Winter

No entanto, além de enfatizar essa relevante informação econômica, quero reforçar a sensação inenarrável que é ver a cultura mostrar sua força. A arte enquanto expressão e resistência liberta. Eu ser a primeira artista Drag Queen escritora a publicar em Mato Grosso, lugar onde nossos corpos são alvo constante, nunca me deixou esquecer e ter esperança de que um dia possamos viver dias melhores - e, para isso, precisamos mostrar nossa existência, resistir não é uma escolha, é um ato de coragem, mas principalmente nossa única alternativa. Talvez, a maior de todas expressões que possamos vivenciar.

Mato Grosso é um dos lugares onde mais se tem mortes violentas contra vítimas LGBTQIAPN+, ainda temos muito que caminhar para continuarmos sobrevivendo, politicas publicas ainda são insuficientes para acolhimento da comunidade, mas além disso, para nos proteger da extermínio e da exclusão.

Esta semana tive conhecimento da nova data, por exemplo, da Mostra Soul 2025 - que indico para quem ainda não tiver conhecimento, buscar sobre na rede social (pelo Instagram @mostrasoulsnp), que este ano vai acontecer em Sinop, norte de Mato Grosso e, onde essa realidade de preconceito é bastante árdua. A mostra tem três dias de programação e, em sua grade, até um concurso audiovisual com a temática LGBTQIAPN+ com as inscrições abertas.

Quem participar, não precisa morar em Sinop, mas residir no território mato-grossense. Além do Concurso Gongo, haverá feira com diversos empreendedores da diversidade, oficinas e batalha do conhecimento. Vale a pena acompanhar, eventos como este, em pequenas ou proporções maiores - são parte da manutenção de quem somos para não apenas sermos vistos, mas parte da manutenção das políticas públicas, conscientização da sociedade, mas mais do que nunca, para que não nos sintamos sozinhos.

Nelly Winter é escritora, Drag Queen e resistente mato-grossense

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