O engenheiro agrônomo Silas Henrique Palmieri Maia, assassinado em Porto dos Gaúchos (a 640 km de Cuiabá), aos 33 anos, na tarde de segunda (18), com um tiro a queima roupa disparado pelo fazendeiro Paulo Faruk, estava noivo, pretendia se casar no final do ano e tinha acabado de construir uma casa em Sinop, onde morava há 7 anos.
Ele atuava na região Norte como funcionário da Agroinsumos Comercial Agrícola. Na profissão, era respeitado como habilidoso no trato com os clientes e um bom conhecedor do assunto. Gostava muito da área.
Na vida pessoal, de solteirão convicto, tinha decidido quietar. Os amigos comentavam que a noiva, cujo primeiro nome é Ana, fisgou o coração dele.
Aventureiro, fez com ela, em 2018, uma viagem de fusca, de Sinop a Machu Picchu, no Peru.
O projeto Fusca Boralá tem página no Facebook, com várias fotos de registro de viagem e mapa do percurso. Veja algumas das fotos nesta galeria.
Galeria: FUSCA BORALÁ
Alegre, extrovertido e comunicativo, tinha muitos amigos. Nas horas vagas, jogava futebol, era santista. Gostava de churrasco e de tomar uma cervejinha, confraternizando.
O
conversou com amigos e colegas de trabalho de Silas, todos consternados com a execução, que ceifou precocemente a vida dele.
Natural de Paranaíba (MS), já se sentia morador fixado em Sinop. Desde 2017, construía uma casa no bairro Aquarela Brasil, região nobre da cidade. Nos últimos tempos, estava morando com a noiva nela. “Me contou que ia pular para dentro. Estava em fase de colocar os móveis”, detalha um ex-colega de trabalho. “Trabalhamos juntos em 2017, desde esta época se mostrava envolvido com a obra, que agora chegou em fase final. Era daquele tipo solteirão, parecia que não ia se casar, mas a Ana conquistou o coração dele”.
Outra paixão de Silas, além da noiva, do trabalho e do fuscão, era a moto, uma Harley Davidson.
Participava de um grupo de motoqueiros chamado Catetos. Fazia viagens de moto e trajetos com galera.
Com um amigo, chegou a ir até Tangará da Serra, ambos pilotando pela estrada. “A minha é uma bigtrail, a dele uma Harley, e com elas a gente andava por aí, uma amizade muito legal, de ir na casa um do outro, fazer churrasco, vou sentir muito essa perda, a Ana mais ainda”, lamenta. Veja vídeo abaixo.
Com todos que o
conversou o sentimento é de indignação e surpresa. A informação é a de que não é violento o universo agrícola por onde os vendedores de insumos agrícolas circulam, no Norte de Mato Grosso, e o caso é isolado. “Tanto é que Silas fez esse trabalho por 7 anos, sem qualquer intercorrência”, ressalta um colega. A situação, segundo ele, pode até ficar mais tensa em locais distantes, meios de mato, onde da pecuária muitos estão migrando para a produção agrícola.
A fazenda do acusado pela execução, Paulo Faruk, é uma das que se localizam no distrito Novo Paraná, onde fica o bar onde Silas estava quando foi executado. A investigação policial parte deste momento do crime. O que se sabe até agora é que, naquela segunda, o agrônomo foi à fazenda, não encontrou Faruk, com quem queria tratar. Ele vendeu a ele insumos agrícolas e o fazendeiro pagaria com grãos. Acontece que nos armazéns credenciados pela empresa onde Silas trabalhava, o fazendeiro não tinha entregue nada. Então ele quis saber se tinha encaminhado grãos colhidos a outros armazéns, para priorizar outros pagamentos, ou, quem sabe, se tinha chovido e não conseguira colher, enfim, precisava saber qual era a situação.
De volta da fazenda, assentou no bar da rodoviária de Novo Paraná, com o Assistente Técnico, um AT, que acabou sendo testemunha ocular do crime. Na área da agronomia, por essas andanças, é comum serem feitas a dois. Em dupla, tinham também andado na região, conforme apurou o
. Silas, que conhece bem tudo por ali, estava mostrando a localidade ao AT, que seria mais novo. Quando assentaram no bar, o fazendeiro chegou e por trás atirou na cabeça de Silas. O AT chegou a correr com ele para o hospital em Porto dos Gaúchos. Mas o óbito foi confirmado.
Faruk está foragido. O advogado dele disse que vai se entregar a qualquer momento.
O pai de Silas, o empresário Joel Maia, atendeu à ligação da reportagem de luto. Estava no enterro do filho, em Paranaíba, nesta quarta (20). "Estou no velório do meu menino", resumiu, emocionado. O corpo do rapaz foi encaminhado à cidade natal dele, para o sepultamento junto a familiares.
Nas redes sociais, muitas mensagens de amizade e condolescências.
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Marie Albernaz 22/02/2019
Como agrônomos em campo corre se vários riscos mas nossa profissão nem mãos insalubre pode ser considerada. Agronomia n eh profissão eh paixão, onde vai sem hora p chegar. Neste caso...ainda ter mais estes riscos. Covardia.
Juarez 20/02/2019
Se Haddad tivesse ganhado as eleições nada disso teria acontecido
angel 20/02/2019
O que que liberação de armas tem a ver com o acontecido? Nada! É cada opinião lamentável que existe por aí. Se não fosse com arma, poderia ser com faca, carro etc. Isso está relacionado com índole, caráter.
Flavia 20/02/2019
Que o assassino apodreça na cadeia.
Luciano 20/02/2019
A grande ironia disso tudo é que com certeza ele deveria ser um partidário da liberação das armas de fogo...
5 comentários